Questão FC132744
Guilherme, secretário municipal de obras, praticou ato de publicidade com recursos do erário de forma a promover seu inequívoco enaltecimento e personalização de obras da prefeitur
Improbidade Administrativa
FGV · 2024
No que tange ao regime jurídico dos atos de improbidade administrativa e à situação apresentada, é correto afirmar que:
- a improbidade administrativa somente ocorrerá se comprovado, na conduta funcional de Guilherme, o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade;
- o Ministério Público poderá celebrar acordo de não persecução civil no curso da investigação de apuração do ilícito, desde que, antes do ajuizamento da ação de improbidade, seja ouvido o município;
- a legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de improbidade é exclusiva do Ministério Público, sendo obrigatória a intimação do município para, querendo, intervir no processo;
- o Ministério Público poderá celebrar acordo de não persecução civil no curso da ação de improbidade, desde que, antes do trânsito em julgado da sentença, seja ouvido o município;
- Guilherme poderá incorrer nas penas de multa civil, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos, caso seja condenado por ato de improbidade administrativa.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Alternativa correta: A alternativa "A" está correta porque, de acordo com o art. 9º da Lei nº 8.429/1992, para a configuração do ato de improbidade administrativa, é necessário que haja intenção de auferir proveito ou benefício indevido. A conduta de Guilherme, embora imprópria, deve ser analisada sob a ótica da intenção. Se não se provar que ele atuou com o fim de obter vantagem pessoal, não se caracteriza a improbidade administrativa. Portanto, a simples realização de ato que promove seu enaltecimento não é suficiente para configurar improbidade sem a comprovação do dolo.
Alternativas incorretas:
B: Esta alternativa está incorreta, pois o acordo de não persecução civil não se aplica à improbidade administrativa. O art. 17 da Lei nº 8.429/1992 não prevê essa possibilidade, e o Ministério Público não pode firmar acordos nesse contexto antes do ajuizamento da ação.
C: A alternativa "C" está errada, pois a legitimidade ativa para a propositura de ação de improbidade não é exclusiva do Ministério Público. O próprio município também pode ajuizar a ação, conforme disposto no art. 17, § 1º da Lei nº 8.429/1992. A intimação do município, embora necessária, não é uma condição para a legitimidade ativa do Ministério Público.
D: Esta alternativa está incorreta, pois o acordo de não persecução civil não se aplica às ações de improbidade administrativa, sendo, portanto, impossível sua celebração no curso da ação, independentemente de ouvir o município.
E: A alternativa "E" está errada, pois, embora Guilherme possa incorrer em sanções, a afirmação não considera que a condenação por improbidade administrativa depende da demonstração do dolo e do proveito indevido, conforme estabelecido pela Lei nº 8.429/1992. Sem a comprovação do elemento subjetivo, ele não pode ser automaticamente condenado a essas sanções.
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