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Questão FC184298

Adultos estacionados na infância - Dênis Athanázio “Quando meu filho nascer, eu terei que tomar vergonha na cara e mudar o rumo da minha vida. Não serei mais infiel, vou ser mais t

Ortografia

AOCP · 2018

Adultos estacionados na infância - Dênis Athanázio

“Quando meu filho nascer, eu terei que tomar vergonha na cara e mudar o rumo da minha vida. Não serei mais infiel, vou ser mais tolerante com meus familiares, protestarei incansavelmente por um país melhor onde meu herdeiro será o mais novo morador”.

Muitas dessas promessas “éticas” permanecem no discurso e não se realizam na prática e partem do pressuposto de que a Terra toda gira em torno do meu umbigo (e agora do umbigo do meu filho também), com o único objetivo de nos satisfazer o tempo todo.

Freud se preocupou com essa questão. Ele desenvolveu um conceito chamado narcisismo primário para explicar aquela fase da criança onde ela investe toda a sua energia libidinal para si mesma, isto é, só pensa nela e em sua satisfação imediata, como instinto de preservação, proteção. E mesmo sem ter total consciência desse complexo processo, o outro é para ela apenas um meio para se chegar a um fim que, no caso, é servi-la e cuidá-la de todas as formas que contribua para sua satisfação e gozo próprio. Se essa fase for “superada”, a criança vai, aos poucos, percebendo que nem todos os seus desejos serão atendidos e nem no exato momento que elas desejarem.

O problema é que encontramos algumas pessoas no decorrer dos anos que ficaram estacionadas no narcisismo primário e dali nunca mais saíram. São “adultos-crianças” birrentos, de difícil convivência, pois não aguentam nem eles mesmos e não conseguem enxergar o outro.

Freud escreveu que a chegada do filho traz toda aquela carga psíquica do que já fomos um dia na infância, mas a deslocamos para nosso filho, pois não podemos voltar a ser criança. Talvez seja por isso que muitos pais idolatram seus filhos nas redes sociais. Na verdade, sem perceber, os pais estão falando do amor por eles mesmos e não do amor pelos filhos.

Se quisermos ter filhos éticos, talvez devamos praticar a ética antes mesmo de eles existirem. Só quem tenta ser ético sabe a dificuldade e investimento diário que é para sê-lo. Se colocarmos a nossa transformação toda como ser humano nas costas da criança que virá, ela já nascerá com dor nas costas e na alma. É como dar uma feijoada para um recém-nascido digerir. As crianças não deveriam vir com a missão de consertar casamento, de suprir carências ou de juntar pessoas que não querem estar próximas. Elas podem vir para somar e dividir e não para consertar os problemas que cabem aos adultos.

Retirado e adaptado de: <http://obviousmag.org/denis_
athanazio/2018/adultos-estacionados-na-infancia.html>.

Em relação à acentuação gráfica das palavras na Língua Portuguesa, considere as alternativas a seguir e assinale aquela que está conforme as normas adequadas.
  1. “Difícil” é acentuada porque é uma palavra proparoxítona terminada em “l”.
  2. “Prática” leva acento porque é uma palavra paroxítona terminada em “a”.
  3. “Já” possui acento opcional.
  4. “Consciência” leva acento porque é proparoxítona.
  5. “Próprio” é acentuada, pois é paroxítona terminada em ditongo crescente “io”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A alternativa E está correta ao afirmar que a palavra próprio é acentuada, pois se trata de uma paroxítona terminada em ditongo crescente “io”.
Palavras paroxítonas, como sabemos, são aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima, e possuem uma regra específica de acentuação.
Para próprio, a presença do ditongo crescente é determinante para a acentuação, já que as regras de ortografia da Língua Portuguesa indicam que as paroxítonas terminadas em “io” devem ser acentuadas.
Assim, o acento no o é necessário para garantir a correta pronúncia e a ênfase na sílaba adequada, fazendo com que a palavra se encaixe nas normas ortográficas vigentes.

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