Questão FC184322
Texto - O egoísmo por detrás do eu lírico Natália Cola de Paula É sabido que a arte da escrita tem a virtude de criar, eternizar, denunciar e embelezar a vida. Ademais, é clichê di
Fonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica
AOCP · 2018
É sabido que a arte da escrita tem a virtude de criar, eternizar, denunciar e embelezar a vida. Ademais, é clichê dizer o quanto ela transmite conhecimento, histórias, momentos e sentimentos, fazendo-nos viajar sem sair do aconchego de nossas casas. Enfim, a escrita tem todas essas funções e características, mas é sob outro prisma que será abordada neste artigo. “A priori”, vamos analisar a escrita como instrumento de comunicação, com a existência de dois polos: o do emissor da mensagem, que é o escritor, e o do receptor, nosso caro leitor. Muito fala-se dos desdobramentos e reflexos dessa mensagem no leitor, aquele que a recebe, interpreta e extrai dela o que lhe aprouver. Porém, pouco se menciona a respeito dos reflexos que essa mensagem exerce sobre o autor, sobre o próprio escritor. É olhando através desse prisma que analisaremos a escrita.
Primeiramente, o poeta ou o escritor tem seu lado altruísta, quer sim ser lido, deseja alcançar um elevado número de leitores, sonha que seu texto inspire e mude a vida de alguém, ou apenas que lhe abra um leve sorriso e aquiete o coração. Mas o que poucos sabem é que o poeta é também egoísta, ele escreve, em primeiro lugar, para si, para sanar suas necessidades. Como assim? Quais necessidades são essas? Muito simples, necessidade de expressar-se, de desabafo, de descargo emocional, de fuga do mundo externo, de abrigo na arte. Antes de mais nada, os autores são seres humanos, não estão isentos dos problemas cotidianos, das dores, das tristezas e nem do amor. Logo, eles buscam na escrita alento, ou usam-na como crítica social, denunciadora do que veem e sentem. De todo modo, os autores, como seres humanos, pais, filhos, alunos, cidadãos, apaixonados e profissionais que são, precisam da escrita mais, talvez, do que ela precisa deles para existir. É esse o ponto essencial de tal artigo, fazê-los compreender que a escrita é a vida pulsando no escritor, sem ela, ele simplesmente não vive, pois não se expressa.
(...)
Há uma bela reflexão feita por Clarisse Lispector que exprime exatamente o caráter egoístico, mas nem por isso desnobrecedor, do eu lírico dos autores. “Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida” (Clarisse Lispector - Um sopro de vida). Certamente, os autores escrevem para salvarem-se de si mesmos e das pressões do mundo, escrevem para se entenderem; organizam pensamentos, opiniões, críticas e amores que estão lhe atormentando o juízo, cuja transposição para o papel parece ser seu álibi. Dessa forma, o autor é tão dependente da escrita quanto ela desse. O eu lírico do poeta, por exemplo, necessita da poesia para sobreviver, não apenas a faz por hobby ou prazer, a faz porque ela o mantém vivo, e sem ela, o poeta, nada mais é do que um mero mortal sem identidade. Fazendo uma analogia, a poesia está para o poeta como a lágrima está para aquele que sofre. Ambas têm o poder de afagar o coração, propiciar aquela sensação de alívio e descarregar um peso que cansava a alma. O choro não é sinônimo de tristeza, mas sim de liberdade, assim como a poesia, que liberta o poeta de suas próprias amarras, trazendo-o à luz de fora da caverna. Portanto, a poesia é para o poeta e o texto é para o escritor, pura liberdade, pura identidade, pura vida transposta em palavras.
No que se refere às características de alguns vocábulos do texto, assinale a alternativa correta.
- O vocábulo “Clarissa” é um trissílabo e apresenta dois encontros consonantais (cl e ss).
- O vocábulo “leitor” é um trissílabo e apresenta um encontro vocálico, que origina um ditongo.
- O vocábulo “desnobrecedor” é um polissílabo e apresenta um dígrafo.
- O vocábulo “aquele” é um trissílabo e apresenta um dígrafo.
- O vocábulo “lhe” é um monossílabo átono e apresenta um encontro consonantal.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Comentário: A alternativa D está correta ao afirmar que o vocábulo “aquele” é um trissílabo e apresenta um dígrafo. Primeiramente, ao separar “aquele” em sílabas, obtemos: a-que-le, totalizando três sílabas, o que caracteriza o termo como um trissílabo.
Além disso, a palavra contém o dígrafo “qu”, onde duas letras representam um único som: o som /k/. Isso é essencial para o entendimento da fonética, já que muitos podem confundir dígrafos com encontros consonantais, que envolvem a junção de sons que se mantêm distintos. Dessa forma, a alternativa corretamente destaca as características fonéticas do vocábulo, refletindo seu conhecimento sobre a separação silábica e a formação de sílabas na Língua Portuguesa.
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