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Questão FC184356

TEXTO 1 Recortar uma língua e atribuir-lhe um nome não é tarefa fácil. Isso porque não há critérios exclusivamente linguísticos para tal recorte. Uma língua é, na verdade, uma cons

Morfologia

AOCP · 2022

TEXTO 1

Recortar uma língua e atribuir-lhe um nome não é tarefa fácil. Isso porque não há critérios exclusivamente linguísticos para tal recorte. Uma língua é, na verdade, uma construção imaginária em que se mesclam fatos linguísticos com fatores históricos, políticos, sociais e culturais. É esse complexo de elementos entrecruzados que leva os falantes a identificar suas variedades linguísticas como constitutivas de uma língua determinada. [...]

O contrário também ocorre, ou seja, variedades que, por critérios estritamente linguísticos, poderiam ser consideradas constitutivas de uma mesma língua, são assumidas por seus falantes como línguas diferentes por razões históricas, políticas e socioculturais. [...].

Uma língua é, então, um conjunto de variedades (e só assim pode ser definida) distribuídas no espaço geográfico e social e no eixo do tempo, conjunto que os falantes, por razões históricas, políticas e socioculturais, idealizam como uma realidade onde não há, efetivamente, unidade.

Muitas vezes, o imaginário social, para manter essa idealização em pé, confunde uma determinada variedade como língua. É a chamada “ideologia da norma-padrão”. Ao identificar a língua exclusivamente com as formas padronizadas, esse modelo ideológico tenta apagar ou desqualificar a heterogeneidade linguística e os processos de mudança.

A variação e a mudança, processos inerentes a qualquer realidade linguística, passam a ser consideradas como deterioração, corrupção, depreciação da “verdadeira” língua e, por isso, são alvos de rejeição, desprestígio ou estigma social.

Esse estigma pode emergir do quadro das próprias relações sociointeracionais, mas, no geral, encontram também reforço pela forma como as gramáticas normativas apresentam a língua (condenando, por exemplo, certas construções como “erro”) e como esse discurso se produz no sistema escolar e nos meios de comunicação. [...]

Adaptado de: FARACO, C. A. História do português. São Paulo: Parábola, 2019. p. 35.

Sobre a formação da palavra destacada no trecho “Esse estigma pode emergir do quadro das próprias relações sociointeracionais [...]”, do Texto 1, avalie as asserções a seguir e a relação estabelecida entre elas e assinale a alternativa correta.

I. O composto “sociointeracionais” forma-se pelo processo de aglutinação.

PORQUE

II. Unem-se dois radicais sem que qualquer um deles apresente perda de integridade sonora ou ortográfica.
  1. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
  2. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
  3. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. As asserções I e II são proposições falsas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A alternativa correta é a letra C, pois a asserção I afirma que o composto “sociointeracionais” forma-se pelo processo de aglutinação, o que é verdadeiro. A aglutinação envolve a fusão de palavras ou radicais em que ocorre modificação sonora ou ortográfica, como a perda de elementos. No caso de "sociointeracionais", observamos que "socio" é uma forma reduzida de "social", evidenciando a alteração do radical.
Já a asserção II, que diz que as duas partes unem-se sem que haja perda de integridade, é falsa, pois caracteriza o processo de justaposição, onde os elementos permanecem intactos. Portanto, a relação entre as assertivas revela a verdadeira natureza da palavra destacada, justificando que a asserção I é verdadeira e a II é falsa, confirmando a escolha da letra C como a alternativa acertada.

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