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Questão FC184424

Texto I Mafalda conhecendo a Liberdade QUINO. 10 anos com Mafalda. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. Texto II Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros” O ser humano é absoluta

Morfologia

AOCP · 2022

Texto I

Mafalda conhecendo a Liberdade


QUINO. 10 anos com Mafalda. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

Texto II

Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros” O ser humano é absolutamente livre. Mas isso não é tão simples -e agradável- quanto parece

Estamos condenados a ser livres. Essa é a sentença de Sartre para a humanidade. O filósofo e escritor francês, ao lado do argelino Albert Camus, foi um dos maiores representantes do existencialismo, corrente filosófica que nasceu com Kierkegaard e reflete sobre o sentido que o homem dá à própria vida. Para Sartre, a existência do ser humano vem antes da sua essência. Ou seja, não nascemos como uma tesoura, que foi feita para cortar, por exemplo.

Segundo o filósofo, antes de tomar qualquer decisão, não somos nada. Vamos nos moldando a partir das nossas escolhas. Toda essa liberdade resulta em muita angústia. Essa angústia é ainda maior quando percebemos que nossas ações são um espelho para a sociedade. Estamos constantemente pintando um quadro de como deveria ser a sociedade a partir das nossas ações — o curioso é que o próprio Sartre era viciado em anfetaminas, ou seja, não foi exatamente um exemplo de conduta. Defendia que temos inteira liberdade para decidir o que queremos nos tornar ou fazer com nossa vida.

A má-fé seria mentir para si mesmo, tentando nos convencer de que não somos livres. O problema é que nossos projetos pessoais entram em conflito com o projeto de vida dos outros. Eles, os outros, tiram parte de nossa autonomia. Por isso, temos de refletir sobre nossas escolhas para não sair por aí agindo sem rumo, deixando de realizar as coisas que vão definir a existência de cada um.

Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que reconhecemos a nós mesmos, com erros e acertos. Já que a convivência expõe nossas fraquezas, os outros são o “inferno” — daí a origem da célebre frase do pensador francês.

Em uma França devastada, após o final da 2ª Guerra, liberdade não era exatamente a palavra do momento. Mas as ideias de Sartre inspiraram toda uma geração de ativistas, como os revolucionários de Paris, em maio de 1968, que ajudaram a derrubar o governo conservador francês. O filósofo ficou conhecido também pela sua relação com Simone de Beauvoir, outra ilustre filósofa existencialista. Ela foi sua companheira de toda a vida, apesar de nunca terem firmado um compromisso....

Sartre morreu como um filósofo pop. Em 15 de abril de 1980, mais de 50 mil pessoas foram ao seu funeral.

Disponível em: https://super.abril.com.br/ideias/o-inferno-sao-os-outros-sartre/. Acesso em: 27 dez. 2021.

Observe o fragmento a seguir, extraído do Texto II:

“Já que a convivência expõe nossas fraquezas, os outros são o “inferno” — daí a origem da célebre frase do pensador francês.”.

A sentença em destaque expressa valor semântico de
  1. finalidade, ao apresentar ideia de propósito para a oração seguinte.
  2. causa, uma vez que indica a razão de “os outros serem o ‘inferno’”.
  3. conformidade, pois confirma o fato de “outros serem o ‘inferno’”.
  4. consequência, visto que indica o resultado de “a nossa convivência expor nossas fraquezas.”.
  5. concessão, porque expressa uma quebra de expectativa com relação ao conteúdo da oração seguinte.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Comentário: A alternativa B é correta porque a expressão “Já que a convivência expõe nossas fraquezas” estabelece uma relação de causa em relação à ideia de que “os outros são o ‘inferno’”. O uso da conjunção subordinativa causal “já que” é fundamental, pois indica que a razão pela qual os outros são considerados um inferno está diretamente relacionada à revelação das nossas fraquezas por meio da convivência. Portanto, a frase sugere que a angustiante constatação das fraquezas humanas, provocada por nossa interação com os demais, é a causa para a afirmação de Sartre sobre a infernalidade social. Essa conexão causa-efeito é essencial para compreender a profundidade da análise do filósofo sobre a existência humana.

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