FC ConcursosFC Concursos

Questão FC184450

Estudos comprovam: sentimos dez vezes mais medo do que nossos pais. O mundo está mergulhado nele. Saiba como chegamos a esse ponto. Você acorda, escova os dentes, se veste, sai par

Morfologia

AOCP · 2016

Estudos comprovam: sentimos dez vezes mais medo do que nossos pais. O mundo está mergulhado nele. Saiba como chegamos a esse ponto.

Você acorda, escova os dentes, se veste, sai para a rua. Pode ser atropelado, assaltado, empurrado no metrô. Se estiver de carro, pode sofrer um acidente de trânsito - ou ficar preso no meio de uma enchente. Ao chegar ao escritório, seu chefe olha estranho... Pode estar pensando em demiti-lo. Pode pegar gripe suína e morrer em dias.
Os agrotóxicos da comida podem estar envenenando você. O seu avião pode cair. Você pode ser rejeitado.

Nunca houve tantos motivos para sentir medo. E isso está nos afetando. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 20,8% das pessoas têm transtorno de ansiedade, ou seja, passam o tempo inteiro com medo de alguma coisa (pois a ansiedade nada mais é do que medo antecipado, de algo que pode ou não ocorrer). É dez vezes mais do que na década de 1980. Mesmo que você não seja uma delas, certamente já se sentiu incomodado por algum tipo de medo. Ele se tornou o maior problema psicológico do nosso tempo - e virou parte do dia a dia de todo mundo.

Ter medo não é ruim. Nós só estamos aqui, afinal, porque nossos antepassados eram medrosos e viviam fugindo do perigo. O cérebro humano evoluiu para ser extremamente sensível a ele. Mas isso aconteceu há milhares de anos, quando a vida era muito diferente. Hoje, a quantidade de situações e estímulos que podem nos causar receio é incalculavelmente maior. Daí a explosão de medo na cabeça das pessoas.

Quando você anda pela rua pensando nas férias, o seu cérebro avançado está decidindo para onde quer viajar. Mas o cérebro instintivo, sem que você perceba, também está a todo o vapor, de olho nas ameaças imediatas (um buraco no chão, por exemplo). Os dois são interligados, se comunicam, influenciam um ao outro. Por isso, os psicólogos preferem dividir a mente em dois sistemas: o Sistema 1 e o Sistema 2. Cada um é um conjunto de processos mentais envolvendo várias regiões do cérebro.

O Sistema 1 é essencial para a sobrevivência. É o instinto que nos permite reagir rapidamente a ameaças - seja uma cobra ou um ônibus que avança sobre a faixa de pedestres bem na hora que você está atravessando. Já o Sistema 2 é o contrário: ele é o pensamento lento, consciente, racional. A sua consciência mora dentro dele. O problema é que o Sistema 1 usa regras rudimentares, muitas vezes erradas, para dosar o medo que vamos sentir das coisas. Por exemplo: quanto mais você se lembra (ou é lembrado) de uma ameaça, mais medo o Sistema 1 produzirá, independente do real perigo envolvido. E ele também é fortemente influenciado pelo medo que outras pessoas sentem (medo é contagioso). Tudo isso nos leva a receios exagerados e errados.

Há inúmeros exemplos assim, de medo irracional. Como a mãe que tem medo que seu filho fume maconha, mas não vê problema se ele “encher a cara”, sendo que o álcool é comprovadamente mais prejudicial à saúde. A pessoa que tem medo de usina nuclear, mas adora ir à praia se expor à radiação solar, algo muito mais arriscado (só o Brasil registra 120 mil casos de câncer de pele por ano).

É por isso que existem tantos programas policiais e notícias sobre violência. “Vivemos num mundo onde somos convocados a sentir medo. Na mídia, é como se estivéssemos em perigo constante, podendo ser assaltados em cada esquina”, diz Luís Fernando Saraiva, do Conselho Regional de Psicologia (CRP) de São Paulo.

Todo mundo propaga o medo. Mas não faz isso só por maldade ou interesse próprio. “Se eu disser que há uma doença mortal se espalhando na sala onde você está, você sairá dela mesmo sem saber se é verdade. E vai avisar as outras pessoas”, diz o publicitário dinamarquês Martin Lindstrom, autor de cinco livros sobre as táticas de manipulação usadas pelas empresas. “Milhares de anos atrás, também espalhávamos a notícia de uma planta venenosa, porque isso aumentava a chance de sobrevivência do grupo.” Ou seja: conforme cada pessoa absorve mais medo, ela também se torna propagadora, espalha esse medo para os outros. É uma reação instintiva.

[...]

(Eduardo Szklarz, Revista Super Interessante, Ed. 331, abril de 2014. Texto adaptado, disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/ medo-como-vencer-os-seus)

Assinale a alternativa correta quanto à função textual dos vocábulos no texto.
  1. Em “Ou seja: conforme cada pessoa absorve mais medo, ela também se torna propagadora, espalha esse medo para os outros.”, o termo em destaque é utilizado para apresentar um contraste, uma oposição à ideia do período anterior.
  2. Em “Já o Sistema 2 é o contrário: ele é o pensamento lento, consciente, racional.”, o termo em destaque é utilizado para dar uma maior explicação sobre o que foi dito anteriormente, além de expressar uma ideia de tempo.
  3. Em “Nós só estamos aqui, afinal, porque nossos antepassados eram medrosos e viviam fugindo do perigo.”, o termo em destaque é utilizado para enfatizar que nossos antepassados eram medrosos, intensificando essa ideia.
  4. Em “E ele também é fortemente influenciado pelo medo que outras pessoas sentem”, o termo em destaque é utilizado para excluir o argumento dado anteriormente.
  5. Em “Hoje, a quantidade de situações e estímulos que podem nos causar receio é incalculavelmente maior.”, o termo em destaque é utilizado para diferenciar a quantidade de situações que causam o medo há milhares de anos e nos dias atuais.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A alternativa E é a correta porque, ao afirmar que em “Hoje, a quantidade de situações e estímulos que podem nos causar receio é incalculavelmente maior.”, o termo em destaque serve para diferenciar as situações que causavam medo no passado das atuais, estabelecendo um divisor temporal muito claro. O advérbio hoje sugere um contraste entre a realidade presente e os tempos antigos, em que os fatores que geravam medo eram, de fato, diferentes, tanto em quantidade quanto em natureza. Assim, o uso de hoje contribui para a compreensão de que o panorama do medo se transformou drasticamente, reforçando a ideia de que vivemos em um contexto de maior vulnerabilidade a ameaças e ansiedades do dia a dia.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo