Questão FC184465
Solidão, uma nova epidemia Uma em cada três pessoas sente-se sozinha na sociedade da hiperconexão e das redes sociais Qualquer um pode sofrer com solidão crônica: uma criança de 12
Colocação Pronominal
AOCP · 2022
Uma em cada três pessoas sente-se sozinha na sociedade da hiperconexão e das redes sociais
Qualquer um pode sofrer com solidão crônica: uma criança de 12 anos que muda de escola; um jovem que depois de crescer em uma pequena comunidade sente-se perdido em uma grande cidade; uma executiva que está ocupada demais com sua carreira para manter boas relações com seus familiares e amigos; um idoso que sobreviveu a sua parceira e cuja saúde fraca dificulta fazer visitas. A generalização do sentimento de solidão é surpreendente. Vários estudos internacionais indicam que mais de uma em cada três pessoas nos países ocidentais sente-se sozinha habitualmente ou com frequência. (...)
A maioria dessas pessoas talvez não seja solitária por natureza, mas sente-se socialmente isolada, embora esteja rodeada de gente. O sentimento de solidão, no começo, faz com que a pessoa tente estabelecer relações com outras, mas, com o tempo, a solidão pode acabar em reclusão, porque parece uma alternativa melhor que a dor, a rejeição, a traição ou a vergonha.
Uma pessoa que se sente sozinha geralmente está mais angustiada, deprimida e hostil, e tem menos probabilidades de realizar atividades físicas. Como as pessoas solitárias tendem a ter mais relações negativas com os outros, o sentimento pode ser contagioso. Os testes biológicos realizados mostram que a solidão tem várias consequências físicas: elevam-se os níveis de cortisol – o hormônio do estresse –, a resistência à circulação de sangue aumenta e certos aspectos da imunidade diminuem. E os efeitos prejudiciais da solidão não terminam quando se apaga a luz: a solidão é uma doença que não descansa, que aumenta a frequência dos pequenos despertares durante o sono, e faz com que a pessoa acorde esgotada. (...)
Uma análise recente – de 70 estudos combinados, com mais de três milhões de participantes – demonstra que a solidão aumenta o risco de morte em 26%, aproximadamente o mesmo que a obesidade. (...)
Quando uma pessoa está triste e irritável, talvez esteja pedindo, em silêncio, que alguém a ajude e se conecte com ela. A paciência, a empatia, o apoio de amigos e familiares, compartilhar bons momentos com eles, tudo isso pode fazer com que seja mais fácil recuperar a confiança e os vínculos e, por fim, reduzir a solidão crônica.
Infelizmente, para muitos, falar com sinceridade sobre a solidão continua sendo difícil, porque é uma condição mal compreendida e estigmatizada. No entanto, dadas sua frequência e suas repercussões na saúde, teria que ser reconhecida como um problema de saúde pública. Deveria receber mais atenção nas escolas, nos sistemas de saúde, nas faculdades de medicina e em asilos para garantir que os professores, os profissionais de saúde, os trabalhadores de creches e de abrigos de terceira idade saibam identificá-la e abordá-la.
As redes sociais podem abrir novas vias para conectar-se com os demais? Depende de como forem utilizadas. Quando as pessoas usam as redes para enriquecer as interações pessoais, isso pode ajudar a diminuir a solidão. Mas, quando servem de substitutas de uma autêntica relação humana, causam o resultado inverso. Imagine um carro. Se uma pessoa o conduz para compartilhar um passeio com amigos, que, em geral, é agradável, certamente se sentirá menos sozinha; se dirige sozinho para cumprimentá-los de longe e ver como os demais estão se divertindo, sua solidão certamente seguirá igual ou até mesmo pior. (...)
Considerando as regras de colocação pronominal da Língua Portuguesa, é correto afirmar que
- na frase: “Uma em cada três pessoas sente-se sozinha na sociedade da hiperconexão e das redes sociais.”, o pronome “se” foi usado após o verbo (ênclise) devido ao tempo verbal ser o presente do indicativo, o qual condiciona tal uso.
- em “Uma pessoa que se sente sozinha geralmente está mais angustiada, deprimida e hostil, (...)”, o pronome em destaque foi empregado em próclise devido à conjunção subordinativa “que”, palavra atrativa.
- no trecho “E os efeitos prejudiciais da solidão não terminam quando se apaga a luz: (...)”, o pronome oblíquo “se” foi empregado em próclise, antes do verbo, devido à conjunção temporal “quando”, palavra que “puxa” o pronome para tal posição.
- em “Quando uma pessoa está triste e irritável, talvez esteja pedindo, em silêncio, que alguém a ajude (...)”, o pronome “a” foi empregado antes do verbo, mas seu uso, nessa posição, é facultativo, podendo também ser utilizado em ênclise, após o verbo, nesse caso.
- no trecho “(...) se dirige sozinho para cumprimentá-los de longe e ver como os demais estão se divertindo, (...)”, o pronome oblíquo “los” foi usado após o verbo, de forma enclítica, mas deveria estar em próclise, devido à preposição “para”.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A alternativa C é adequada porque, na expressão “E os efeitos prejudiciais da solidão não terminam quando se apaga a luz”, o pronome oblíquo “se” está corretamente posicionado em próclise, ou seja, antes do verbo. Essa colocação se justifica pela presença da conjunção temporal “quando”, que atua como um elemento atrativo que “puxa” o pronome para essa posição. É importante ressaltar que as conjunções subordinativas, como “quando”, têm a função de obrigar o uso da próclise, uma vez que antecedem o verbo. Portanto, a análise do contexto gramatical revela que o uso do pronome “se” em próclise é normativamente correto e condizente com as regras da colocação pronominal na Língua Portuguesa.
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