Questão FC184503
O texto a seguir refere-se a questão. "TUDO ERRADO, MAS TUDO BEM" Em 1977, um cientista da Exxon alertou os diretores da petroleira americana sobre a iminência do aquecimento globa
Ortografia
Instituto AOCP · 2022
Em 1977, um cientista da Exxon alertou os diretores da petroleira americana sobre a iminência do aquecimento global. A reação da companhia? Criar o negacionismo
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
Era 1977. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis.
No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus número consistente com o consenso atual. A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa James Hansen participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
Um memorando trocado entre as companhias diz: "A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima", contou o cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015.
Fundada em 1989, a tal Coalizão Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os EUA do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases-estufa por todos os países.
E, claro, a história se repetiria mais de uma década depois, com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido.
No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1 °C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
- “[...] iminência do aquecimento global”. (Qualidade do que é eminente; supremacia).
- “[...] primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução [...]'. (Em que participam mais que dois países).
- “James Black, cientista sênior da Exxon [...]”. (Aquele que tem mais idade em relação a outro).
- “James Hansen participou de uma audiência no Congresso americano [...]. (O mesmo que “público” ou “plateia”).
- “Avisou que havia um consenso científico [...]”. (Qualidade de sensato; o mesmo que “cautela” ou “prudência”).
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Gabarito
B
Comentário do professor
Comentário: A alternativa B, que define o termo multilateral como "em que participam mais que dois países", está correta e é fundamental para entender o contexto apresentado no texto. O termo multilateral refere-se a ações ou acordos que envolvem múltiplos participantes, indicando, portanto, a necessidade de colaboração entre diversas nações para abordar questões globais, como a mudança climática. Nesse caso específico, a criação de um protocolo que busca a redução das emissões de gases-estufa envolve diferentes países, cada um contribuindo para uma solução coletiva. Essa visão plural sobre a responsabilidade climática é essencial para a eficácia das iniciativas ambientais e revela a relevância de um esforço conjunto diante de um problema que transcende fronteiras. Assim, a escolha da alternativa B expõe corretamente o conceito subjacente à noção de um esforço multilateral e sua aplicação prática no combate às mudanças climáticas.
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