Questão FC184511
Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?
Morfologia
Instituto AOCP · 2024
Por que a experiência da consciência evoluiu a partir da nossa fisiologia cerebral subjacente? Apesar de ser uma área empolgante da neurociência, as pesquisas atuais sobre a consciência são caracterizadas por divergências e controvérsias. Existe uma disputa entre uma série de teorias concorrentes. [...]
Perigos da intuição
As principais crenças intuitivas – por exemplo, que nossos processos mentais são distintos dos nossos corpos físicos (dualismo mente-corpo) e que os nossos processos mentais dão origem e controlam as nossas decisões e ações (causalidade mental) – são reforçadas por uma vida inteira de experiências subjetivas.
Estas crenças são encontradas em todas as culturas humanas. São importantes porque servem como crenças fundamentais para a maioria das democracias liberais e dos sistemas de justiça criminal. Elas são resistentes a contraprovas. Isto porque são fortemente validadas por conceitos sociais e culturais como o livre-arbítrio, os direitos humanos, a democracia, a justiça e a responsabilidade moral. Todos esses conceitos pressupõem que a consciência desempenha uma influência controladora central.
A intuição, no entanto, é um processo cognitivo automático que evoluiu para fornecer explicações e previsões rápidas e confiáveis. Na verdade, ela faz isso sem a necessidade de sabermos como ou por que sabemos disso. Os resultados da intuição moldam, portanto, a forma como percebemos e explicamos nosso mundo cotidiano, sem a necessidade de uma reflexão extensa ou de explicações analíticas formais.
Embora úteis e cruciais para muitas atividades cotidianas, as crenças intuitivas podem estar erradas. E também podem interferir na alfabetização científica.
[...]
O problema para os modelos científicos de consciência continua a ser acomodar estas explicações intuitivas dentro de uma estrutura materialista consistente com as descobertas da neurociência. Embora não haja uma explicação científica atual sobre como o tecido cerebral gera ou mantém a experiência subjetiva, o consenso entre (a maioria dos) neurocientistas é que ela é um produto de processos cerebrais.
Propósito social
Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?
A consciência provavelmente evoluiu como parte da evolução do sistema nervoso. De acordo com várias teorias, a principal função adaptativa (proporcionar ao organismo vantagens reprodutivas e de sobrevivência) da consciência é tornar possível o movimento volitivo. E a volição é algo que, em última análise, associamos à vontade, ao arbítrio e à individualidade. Portanto, é fácil pensar que a consciência evoluiu para nos beneficiar como indivíduos.
Mas argumentamos que a consciência pode ter evoluído para facilitar funções adaptativas sociais fundamentais. Em vez de ajudar os indivíduos a sobreviver, ela evoluiu para nos ajudar a transmitir as nossas ideias e sentimentos vivenciados para o resto do mundo. E isto pode beneficiar a sobrevivência e o bem-estar da espécie como um todo.
A ideia se encaixa no novo pensamento sobre genética. Embora a ciência evolucionista se concentre tradicionalmente nos genes individuais, há um reconhecimento cada vez maior de que a seleção natural entre os humanos opera em vários níveis. Por exemplo, a cultura e a sociedade influenciam características transmitidas entre gerações – valorizamos algumas mais do que outras.
No centro da nossa explicação, está a ideia de que a sociabilidade [...] é uma estratégia de sobrevivência fundamental que influencia a forma como o cérebro e a cognição evoluem.
Adotando esta estrutura social evolutiva, nós propomos que a percepção subjetiva carece de qualquer capacidade independente de influenciar causalmente outros processos ou ações psicológicas. [...] Afirmar que a percepção subjetiva não tem influência causal não significa negar a realidade da experiência subjetiva ou afirmar que a experiência é uma ilusão. [...]
Na verdade, é justamente devido ao valor que damos a estas experiências que os relatos intuitivos permanecem convincentes e difundidos nos sistemas de organização social e jurídica e na psicologia.
Apesar de ser contraintuitivo atribuir arbítrio e responsabilidade pessoal a um conjunto biológico de células nervosas, faz sentido que construções sociais altamente valorizadas, como o livre-arbítrio, a verdade, a honestidade e a justiça, possam ser atribuídas de forma significativa aos indivíduos como pessoas responsáveis numa comunidade social.
Pense nisso. Embora estejamos profundamente arraigados à nossa natureza biológica, a nossa natureza social é amplamente definida por nossos papéis e interações na sociedade. Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada para a troca e recepção de informações, ideias e sentimentos. [...]
Para se chegar a uma explicação mais científica para a percepção subjetiva, é necessário aceitar que a biologia e a cultura trabalham coletivamente para moldar a forma como os cérebros evoluem. [...]
I. No trecho “[...] nossos processos mentais são distintos dos nossos corpos físicos (dualismo mente-corpo) [...]”, “dualismo” formou-se por derivação sufixal, enquanto “mente-corpo”, por composição por justaposição.
II. Em “[...] estas explicações intuitivas dentro de uma estrutura materialista consistente com as descobertas da neurociência.”, os termos destacados originaram- se mediante um mesmo processo de formação de palavras.
III. No trecho “Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada [...]”, os termos destacados apresentam sufixos nominais.
IV. Em “Apesar de ser contraintuitivo atribuir arbítrio e responsabilidade pessoal a um conjunto biológico de células nervosas [...]”, o termo destacado formou-se por composição por justaposição.
V. No trecho “Em vez de ajudar os indivíduos a sobreviver, ela evoluiu para nos ajudar [...]”, o verbo destacado formou-se por derivação prefixal.
- Apenas I, II e III.
- Apenas II, III e IV.
- Apenas II e IV.
- Apenas I e V.
- Apenas I, IV e V.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Comentário: A alternativa D, que menciona apenas as assertivas I e V como corretas, está correta devido à análise precisa dos processos de formação de palavras apresentados nas assertivas.
I. A palavra "dualismo" realmente é fruto de uma derivação sufixal, pois deriva do adjetivo "dual" com a adição do sufixo "ismo". A expressão "mente-corpo", por sua vez, é um exemplo de composição por justaposição, onde os termos se combinam sem alteração dos elementos fonéticos. Isso confirma que a assertiva está correta.
V. A palavra "sobreviver" é, de fato, formada pelo verbo "viver" com a adição do prefixo "sobre", caracterizando assim uma derivação prefixal. Isso também confirma a assertiva como verdadeira.
As outras assertivas contêm erros relacionados aos tipos de formação das palavras, tornando a alternativa D a correta, pois consegue identificar corretamente as formações morfológicas pertinentes às assertivas I e V.
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