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Questão FC184629

ENTRE O DESESPERO E A ESPERANÇA: COMO REENCANTAR O TRABALHO? Christophe Dejours Nos dias de hoje, quando se fala do trabalho, é de bom-tom considerá-lo a priori como uma fatalidade

Morfologia

Instituto AOCP · 2022

ENTRE O DESESPERO E A ESPERANÇA: COMO REENCANTAR O TRABALHO?
Christophe Dejours

Nos dias de hoje, quando se fala do trabalho, é de bom-tom considerá-lo a priori como uma fatalidade. Uma fatalidade socialmente gerada. E, de fato, é preciso reconhecer que a evolução do mundo do trabalho é bastante preocupante para os médicos, para os trabalhadores, para as pessoas comuns apreensivas com as condições que serão deixadas a seus filhos em um mundo de trabalho desencantado.
E, no entanto, no mesmo momento em que devemos denunciar os desgastes psíquicos causados pelo trabalho contemporâneo, devemos dizer que ele também pode ser usado como instrumento terapêutico essencial para pessoas que sofrem de problemas psicopatológicos crônicos. No que concerne à visão negativa, é preciso distinguir o sofrimento que o trabalho impõe àqueles que têm um emprego do sofrimento daqueles homens e mulheres que foram demitidos ou que se encontram privados de qualquer possibilidade de um dia ter um emprego.
Há, portanto, situações de contraste. Surge inevitavelmente a questão de saber se é possível compreender as diversas contradições que se observam na psicodinâmica e na psicopatologia do trabalho. Isso só é possível se defendermos a tese da “centralidade do trabalho”. Essa tese se desdobra em quatro domínios:
• no domínio individual, o trabalho é central para a formação da identidade e para a saúde mental,
• no domínio das relações entre homens e mulheres, o trabalho permite superar a desigualdade nas relações de “gênero”. Esclareço que aqui não se deve entender trabalho apenas como trabalho assalariado, mas também como trabalho doméstico, o que repercute na economia do amor, inclusive na economia erótica,
• no domínio político, é possível mostrar que o trabalho desempenha um papel central no que concerne à totalidade da evolução política de uma sociedade,
• no domínio da teoria do conhecimento, o trabalho, afinal, possibilita a produção de novos conhecimentos. Isso não é óbvio. O estatuto do conhecimento, supostamente elevado acima das contingências do mundo dos mortais, deve ser revisto profundamente quando se considera o processo de produção do conhecimento e não apenas o conhecimento. É o que se chama de “centralidade epistemológica” do trabalho. [...]

Disponível em:
https://revistacult.uol.com.br/home/christophe-dejours-reencantar-otrabalho/. Acesso em: 14.dez.2021

Qual é a relação sintático-semântica mantida entre “[...] não se deve entender trabalho apenas como trabalho assalariado [...]” e “[...] mas também como trabalho doméstico [...]”?
  1. Comparação.
  2. Contraste.
  3. Adição.
  4. Negação.
  5. Explicação.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A expressão “[...] mas também como trabalho doméstico [...]” revela uma relação de adição que é fundamental para compreender a proposta do trecho. A locução "mas também" é tipicamente utilizada para agregar informações, proporcionando um acréscimo à ideia previamente estabelecida. Neste contexto, afirma-se que o trabalho não deve ser visto somente como trabalho assalariado, mas também inclui o trabalho doméstico, ampliando assim a compreensão sobre o que se considera trabalho. Isso significa que a locução serve para contrariar uma leitura restritiva do conceito de trabalho e enfatizar a diversidade de experiências laborais. Portanto, essa relação sintático-semântica é essencial para a argumentação do autor e justifica a alternativa C - Adição como correta.

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