Questão FC184645
Texto I Comportamento Geral Gonzaguinha (1972) Você deve notar que não tem mais tutu e dizer que não está preocupado Você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensad
Morfologia
Instituto AOCP · 2022
Texto II

♪ ANÁLISE – A declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez justiça na quinta- feira, 9 de dezembro de 2021, a um universo musical tão importante quanto o samba para a construção da identidade sonora do Brasil.
Por visão etnocêntrica carioca, o samba sempre foi apresentado como o “ritmo nacional”, porque a cidade do Rio de Janeiro (RJ) é percebida como a capital cultural do Brasil.
É assim que o mundo vê a música do Brasil, embora a recente visibilidade planetária do funk esteja reconstruindo essa identidade musical que foi criada nos anos 1940 – com a ascensão nos Estados Unidos da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955), voz do samba que acabou propagando a rumba no mercado norte-americano – e alicerçada com a explosão da Bossa Nova nos EUA a partir de 1962.
Só que, dentro das fronteiras do Brasil, o forró sempre foi tão importante quanto o samba. Com a diferença de que, a rigor, forró nunca foi um gênero musical como o samba. Forró é rótulo genérico que designa diversos gêneros musicais nordestinos, como baião, xaxado, xote e quadrilha – ritmos recorrentes na obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), grande pilar da música da nação nordestina.
Forró também pode ser o coco ou o rojão cantado por Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), rei do ritmo, também dono de obra referencial na música do nordeste do Brasil.
Contudo, forró é festa regada à alegria, dança e sensualidade em que se canta e toca até samba. Sacramentada dez anos após ter sido apresentada em 2011 pela Associação Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, com apoio de mais de 400 artistas que se manifestaram através de abaixo-assinado, a declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil faz jus à diversidade cultural desse país de dimensão continental.
A música do Brasil precisa ser compreendida a partir dessa imensa riqueza e variedade. Artistas nordestinos não são artistas “regionais”. São artistas do Brasil, porque o forró – tanto a música quanto a festa – anima todo o país e é e sempre foi de fato e de direito um patrimônio nacional.
( ) Nos versos “Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé/ Se acabarem com o teu Carnaval?”, o emprego da conjunção “se” expressa condição e se une ao verbo “acabarem” no futuro do presente do indicativo para indicar incerteza.
( ) O verbo “dever”, empregado em várias passagens do Texto I, bem como em “Você deve estampar sempre um ar de alegria/ e dizer: tudo tem melhorado” funciona, nesse caso, como um auxiliar modalizador que exprime noção de obrigatoriedade.
( ) Em “São palavras que ainda te deixam dizer”, o pronome “te”, em se tratando de colocação, por ter sido usado diante de uma locução verbal com infinitivo “deixam dizer” , também poderia assumir as formas enclíticas “deixam te dizer” ou “deixam dizer te”.
( ) Nos versos “Deve, pois, só fazer pelo bem da Nação” e “E diploma de bem comportado (...)”, o vocábulo “bem” foi empregado com a mesma função adverbial.
( ) Em “Tudo aquilo que for ordenado/ Pra ganhar um Fuscão no juízo final (...)”, a expressão em destaque indica causa.
- V – V – V – F – F.
- V – F – V – F – V.
- F – F – F – V – V.
- F – V – V – F – F.
- F – V – F – V – F.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Comentário: A alternativa D, composta pelas indicações F – V – V – F – F, reflete com precisão os aspectos linguísticos do Texto I.
A primeira afirmação é falsa pois a conjunção se realmente expressa uma condição, mas o verbo acabarem está no
futuro do subjuntivo, o que implica incerteza, e não no futuro do presente do indicativo.
A segunda afirmação é verdadeira ao destacar que o verbo dever atua como um auxiliar modalizador, sugerindo obrigatoriedade nas ações indicadas no texto.
A terceira afirmação é verdadeira, pois o pronome te está adequadamente posicionado e pode também ser empregado nas formas enclíticas, uma escolha válida na colocação pronominal diante de uma locução verbal.
A quarta afirmação é falsa, já que o bem apresenta funções distintas: no primeiro caso, refere-se a um substantivo relacionado à ação de fazer o que é bom, enquanto no segundo, atua como advérbio de modo.
Por fim, a quinta afirmação é falsa ao sugerir que a expressão pra ganhar indica causa; ela realmente denota finalidade, mostrando que a busca por um Fuscão é um objetivo a ser alcançado.
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