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Questão FC184876

O texto a seguir refere-se à questão. QUESTIONANDO O CRESCIMENTO ECONÔMICO Marcus Eduardo de Oliveira Para o fim último de uma sociedade que se pauta na busca da felicidade, via aq

Regência

Instituto AOCP · 2022

O texto a seguir refere-se à questão.

QUESTIONANDO O CRESCIMENTO ECONÔMICO

Marcus Eduardo de Oliveira

Para o fim último de uma sociedade que se pauta na busca da felicidade, via aquisição material, o crescimento econômico se apresenta como o caminho mais viável para isso, visto que potencializa o ciclo de acumulação do capital (produção, consumo, mais produção para mais consumo), consubstanciando-se na máxima tão proferida pelos neoclássicos de que a riqueza de um país aumenta à medida que o Produto Interno Bruto (PIB) se expande.
 
Assim, o consumo que, nas palavras de F. Hirsch (1931-1978), “representa o verdadeiro sujeito e objeto do crescimento econômico”, ampara tal “necessidade” de crescimento. Essa “necessidade”, por sua vez, é justificada pelo encontro do crescimento demográfico com o progresso econômico, posto esse último cada vez mais a serviço do aumento da produção material.
 
Pautado no interesse de fazer com que a sociedade alcance melhorias substanciais no padrão de vida das pessoas, o crescimento econômico, por ser uma espécie de “marca” que simboliza esse “progresso”, tornou-se obsessão maior das políticas governamentais pós Revolução Industrial, e, enquanto a economia mundial (atividade produtiva global) “coube” dentro do meio ambiente, tal obsessão jamais foi questionada.
 
A insatisfação quanto a isso, apenas para os que estão do lado de fora da economia convencional, dita, neoclássica, portanto, para aqueles que não comungam às ideias da cartilha do modelo ora vigente, passou a ser gritante após os anos 1960, quando os sinais de estresse ambiental começaram a ser notados em diversas frentes, em paralelo ao fato da abundância material ter alcançado, a partir desse período, maior proeminência, afinal a economia global estava desfrutando as benesses da chamada “Era de Ouro” do capitalismo que somente iria terminar com a chegada do primeiro choque do petróleo, em 1973.
 
A partir disso, a questão principal que se realça é que, à medida que o crescimento acontece, deteriora-se o meio ambiente, sem ao menos ter essas implicações ecológicas dimensionadas adequadamente na própria conta do crescimento econômico.
 
Desse modo, questionar o crescimento, para dizer o mínimo, torna-se mais que razoável, além de permitir o questionamento do próprio sistema que lhe dá amparo, uma vez que seus defensores contextualizam que sem crescimento não há condições possíveis de sobrevivência para o sistema ora dominante. [...]
 
(Adaptado de: Revista Cidadania & Meio Ambiente.
Disponível em: https://www.ecodebate.com.br/wpcontent/ uploads/2016/05/rcman58.pdf)

Sobre o excerto “[...] aqueles que não comungam às ideias [...]”, assinale a alternativa correta.
  1. “Comungam”, no excerto em foco, é um verbo transitivo indireto cujas preposições possíveis são: “a”, “de”, “em” ou “com”.
  2. O sinal indicativo de crase foi utilizado de forma incorreta, devendo ser omitido para que o excerto se adéque à norma-padrão da língua.
  3. O sinal indicativo de crase aponta que o item “às” é uma preposição e pode ser adequadamente substituído por “para as”.
  4. “Comungam”, no excerto em foco, é um verbo intransitivo, o qual não exige complemento.
  5. Caso a palavra “ideias” fosse substituída por “princípios”, o termos “às” teria de ser substituído por “aos” para que o excerto estivesse adequado em termo deconcordância e regência. 
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Gabarito

B

Comentário do professor

Comentário: A alternativa B aponta corretamente que o sinal indicativo de crase foi utilizado de forma inadequada no trecho “comungam às ideias”. A explicação se baseia no verbo comungar, que é um verbo transitivo indireto, e não exige a preposição “a” antes do complemento “ideias”. Portanto, a forma correta seria dizer “comungam as ideias”, ou seja, sem o acento grave que indica a crase. Essa análise é essencial para entender a regência verbal e como as preposições se relacionam com os verbos na língua portuguesa. Portanto, a afirmação de que a crase deve ser omitida para que o excerto esteja de acordo com a norma-padrão é totalmente procedente.

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