FC ConcursosFC Concursos

Questão FC185022

O tempo está passando rápido demais? Novo estudo revela que a sensação é ditada pelo coração (não pelo cérebro) Os batimentos acelerados ou mais lentos em determinadas situações sã

Vocábulo Que

Instituto AOCP · 2024

O tempo está passando rápido demais? Novo estudo revela que a sensação é ditada pelo coração (não pelo cérebro)
  
Os batimentos acelerados ou mais lentos em determinadas situações são os responsáveis
 
Ellen Barry 
É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.
Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.
Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.
Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.
— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.
— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.
Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".
— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.
O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar
Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.
— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.
O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.
Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”
— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.
Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.
— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.
O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.
— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.
Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas. — O tempo é um recurso —, conclui Anderson.
— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024 

Assinale a alternativa correta a respeito de elementos linguísticos presentes no texto.
  1. No trecho “(...) quando temos medo, segundos podem se estender.”, o pronome destacado poderia, nesse caso, ser empregado na seguinte posição: “podem estender-se”, sem prejuízo gramatical.
  2. Em “Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo (...)”, os verbos destacados foram empregados no pretérito perfeito do indicativo, expressando uma ação já realizada, pontual, concluída.
  3. No trecho “Sadeghi diz que (...) ‘não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede’.”, os pronomes destacados pertencem à mesma classe de palavras.
  4. Em “Um estudo (...) descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções.”, se trocássemos a expressão destacada por “da população”, o verbo “relatar” se manteria no plural para concordar com a porcentagem citada.
  5. Em “(...) pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, (...)”, o pronome grifado referencia o trecho destacado. 
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

Comentário: A alternativa A afirma que, no trecho “(...) quando temos medo, segundos podem se estender.”, o pronome “se” poderia ser empregado de forma diferente: “podem estender-se”, sem prejuízo gramatical. Essa afirmação é correta porque a construção com ênclise mantém o sentido e a estrutura da frase intactos. Na linguagem formal, o uso do pronome oblíquo átono “se” após o verbo, na forma de ênclise, é especialmente apropriado quando se trata da forma infinitiva, como é o caso aqui. Portanto, dizer “estender-se” respeita as regras de colocação pronominal, permitindo a fluidez e a clareza na comunicação. Além disso, essa troca demonstra a flexibilidade da língua portuguesa em aceitar diferentes posições para pronomes sem alterar a essência da sentença.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo