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Questão FC185032

O texto a seguir refere-se a questão. "TUDO ERRADO, MAS TUDO BEM" Em 1977, um cientista da Exxon alertou os diretores da petroleira americana sobre a iminência do aquecimento globa

Vocábulo Que

Instituto AOCP · 2022

O texto a seguir refere-se a questão.

"TUDO ERRADO, MAS TUDO BEM"

Em 1977, um cientista da Exxon alertou os diretores da petroleira americana sobre a iminência do aquecimento global. A reação da companhia? Criar o negacionismo

Por Salvador Nogueira
 
É difícil precisar quando nasceu o negacionismo sobre a mudança climática. Mas dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas com a própria constatação do aquecimento global.
 
Era 1977. O tema era quase desconhecido do público, e os maiores interessados no fenômeno, as companhias de petróleo, queriam saber o quanto deviam se preocupar com ele. James Black, cientista sênior da Exxon, trouxe uma mensagem reta aos diretores da petroleira. Avisou que havia um consenso científico de que a maneira mais provável pela qual a humanidade está influenciando o clima é por meio da liberação de CO2 com a queima de combustíveis fósseis.
 
No ano seguinte, 1978, ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera elevaria as temperaturas médias globais em dois a três graus número consistente com o consenso atual.
 
A Exxon ouviu o recado. E fingiu ter entendido o exato oposto. Quando, dez anos depois, o cientista da Nasa James Hansen participou de uma audiência no Congresso americano para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade, a reação de um conglomerado de empresas de petróleo, gás e carvão foi fundar a Coalizão Global do Clima. A Exxon estava no meio. E a missão inconfessa (mas documentada) do projeto era basicamente lançar dúvidas sobre a realidade das mudanças climáticas e sobre o papel humano no fenômeno.
 
Um memorando trocado entre as companhias diz: "A vitória virá quando o cidadão médio estiver incerto sobre a ciência do clima", contou o cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação, em 2015.
 
Fundada em 1989, a tal Coalizão Global do Clima foi dissolvida em 2002. Mas os milhões de dólares promovendo o negacionismo foram suficientes para fazer com que o então presidente americano George W. Bush, alegando prejuízos à economia e incertezas científicas, retirasse, em 2001, os EUA do Protocolo de Kyoto, primeira tentativa de promover de forma multilateral a redução das emissões de gases-estufa por todos os países.
 
E, claro, a história se repetiria mais de uma década depois, com o Acordo de Paris. Assinado em 2015 por Barack Obama, ele foi rejeitado por Donald Trump. Agora, com Joe Biden, o país voltou, tentando recuperar o tempo perdido.
 
No âmbito da ciência, a única coisa que mudou nos últimos 40 anos foi o grau de convicção de que as mudanças climáticas são uma realidade. E nem é mais questão de futuro. A Terra já aqueceu 1 °C enquanto o pessoal semeava suas falsas incertezas.
 
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/coluna-carbonozero- tudo-errado-mas-tudo-bem. Acesso em 07 mar. 2022.

Assinale a alternativa em que o “que” é um pronome relativo.
  1. “[...] contou o cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação [...]”.
  2. “[...] dá para dizer que ele surgiu de mãos dadas [...]".
  3. "[...] ele já alertava que a duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera [...]”.
  4. “Avisou que havia um consenso científico [...]”.
  5. “[...] para dizer que o aquecimento produzido pelo homem era uma realidade [...]”.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Comentário: A alternativa A é correta pois o “que” presente na frase “contou o cientista Kenneth Kimmel, que expôs a manipulação” exerce a função de pronome relativo. Ele substitui o substantivo anterior, “cientista Kenneth Kimmel”, permitindo a inserção de uma informação adicional sobre esse sujeito.
Em termos práticos, se substituirmos o “que” por "o qual" ou "a qual", a frase ainda fará sentido: “contou o cientista Kenneth Kimmel, o qual expôs a manipulação”. Essa transformação evidencia que o pronome está agindo como um elemento que conecta duas ideias, referindo-se ao substancial que o precede. Dessa forma, é possível identificar claramente a função do “que” nesta construção, confirmando que se trata de um pronome relativo.

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