Questão FC185142
ENTRE O DESESPERO E A ESPERANÇA: COMO REENCANTAR O TRABALHO? Christophe Dejours Nos dias de hoje, quando se fala do trabalho, é de bom-tom considerá-lo a priori como uma fatalidade
Interpretação de Textos (Compreensão)
Instituto AOCP · 2022
Christophe Dejours
- no domínio individual, o trabalho é central para a formação da identidade e para a saúde mental,
- no domínio das relações entre homens e mulheres, o trabalho permite superar a desigualdade nas relações de “gênero”. Esclareço que aqui não se deve entender trabalho apenas como trabalho assalariado, mas também como trabalho doméstico, o que repercute na economia do amor, inclusive na economia erótica,
- no domínio político, é possível mostrar que o trabalho desempenha um papel central no que concerne à totalidade da evolução política de uma sociedade,
- no domínio da teoria do conhecimento, o trabalho, afinal, possibilita a produção de novos conhecimentos. Isso não é óbvio. O estatuto do conhecimento, supostamente elevado acima das contingências do mundo dos mortais, deve ser revisto profundamente quando se considera o processo de produção do conhecimento e não apenas o conhecimento. É o que se chama de “centralidade epistemológica” do trabalho. [...]
A partir da leitura do título do texto, é INCORRETO afirmar que
- o trabalho, de modo geral, já foi motivo de encantamento dos trabalhadores em algum momento anterior.
- “desespero” e “esperança” estão colocados como sentimentos opostos.
- atualmente o trabalho não gera satisfação aos trabalhadores.
- é impossível que o ser humano volte a ter prazer com seu trabalho.
- há uma expectativa de que o texto apresentará maneiras de se reencantar o trabalho.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Comentário: A alternativa D, que afirma que “é impossível que o ser humano volte a ter prazer com seu trabalho”, é incorreta pois o texto de Dejours apresenta uma perspectiva que permite a reflexão sobre a complexidade do trabalho e sua dualidade. O autor não se limita a uma visão negativa, mas sim evidencia que, apesar dos desafios contemporâneos, o trabalho ainda pode ser visto como um instrumento terapêutico. Isso sugere que existe a possibilidade de transformação e reencantamento do trabalho, mesmo em meio ao desencanto. O texto também propõe que a recuperação do prazer no trabalho é viável, a depender da evolução das condições de trabalho e da valorização do mesmo. Portanto, a ideia de que “é impossível retornar ao prazer no trabalho” ignora as possibilidades de mudança e melhoria, que são centrais à discussão apresentada.
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