TEXTO I
NA ESTRADA, SEM CINTO NEM CAPACETE
Camille
Lichotti e Renata Buono | 30maio2022_10h09
[...]
Durante a pandemia, os brasileiros ficaram mais imprudentes
ao volante. O número de infrações relacionadas ao não uso do cinto de segurança
em rodovias federais atingiu o pico – tanto para condutores quanto para
passageiros de veículos. Ao todo, foram mais de 271 mil infrações desse tipo em
2020, o recorde da série histórica registrada pela Polícia Rodoviária Federal.
No ano seguinte, em 2021, foram 252 mil, também acima dos valores registrados
desde 2007.
Os motociclistas também ficaram mais descuidados no primeiro
ano de pandemia. Os registros de infrações por falta de capacete nas rodovias
estavam em queda desde 2015. Em 2019, houve um pequeno aumento. Mas no ano
seguinte, em 2020, esse número aumentou 51% e atingiu o pico da série
histórica. Naquele ano, a Polícia Rodoviária Federal registrou 71 mil infrações
por falta de capacete – quase 24 mil a mais que no ano anterior. Em 2019, foram
cerca de 47 mil infrações desse tipo.
Apesar de o número total de acidentes em rodovias federais
ter diminuído ao longo da série histórica, o perfil das ocorrências também
revela a crescente irresponsabilidade no trânsito. O consumo de álcool se
tornou uma das principais causas de acidentes em rodovias federais no ano
passado – só perde para falta de atenção, dificuldade de reação ao volante e
velocidade indevida na pista. De cada 100 acidentes atendidos pela Polícia
Rodoviária Federal, cerca de 8 foram causados por ingestão de álcool em 2021 –
quase o dobro da proporção registrada dez anos antes. Em 2011, a cada 100
acidentes nas rodovias federais, quatro foram causados por ingestão de álcool.
A rodovia BR-101, no trecho localizado em Santa Catarina, foi
a campeã de acidentes em 2021. Ao todo, a Polícia Rodoviária Federal registrou
4.094 ocorrências, com 129 mortes. Isso significa que, a cada 32 acidentes na
região, uma pessoa morreu. Mas a BR-116, conhecida como a rodovia da morte, é
mais letal – especialmente no estado de São Paulo, cujo trecho concentra o
maior número de vítimas do país. Apesar de registrar menos acidentes (3.099),
só nesse trecho específico da BR-116 morreram 173 pessoas em 2021. Ou seja, a
cada dois dias, uma pessoa morreu no trecho paulista da BR-116. As duas vias
atravessam vários estados brasileiros, ligando o Nordeste ao Sul do país.
Desde 2008, primeiro ano da série histórica disponibilizada
pelo Ministério da Saúde, nunca houve tantos feridos por acidentes de trânsito
no Brasil como em 2021, levando em conta todos os tipos de vias do país. O
número de pessoas internadas na rede pública de saúde com lesões causadas por
acidentes de trânsito bateu recorde no ano passado. Foram mais de 234 mil – uma
média de 642 internados por dia. Em 2011, a média diária era de 480
internações. Ou seja, em dez anos houve um aumento de 34% nas hospitalizações
por acidente de trânsito.
Os ciclistas estão cada vez mais propensos a acidentes graves
no Brasil. Enquanto o número total de internações por acidentes de trânsito
cresceu 34% em dez anos, o aumento entre os motociclistas foi de 62%. Entre os
ciclistas, o crescimento foi de 71% – mais que o dobro do observado na média
geral. Isso acontece porque o número de pedestres e ocupantes de automóveis
lesionados, por exemplo, caiu durante praticamente todo o período de 2011 a
2021. Mas entre ciclistas e motociclistas, as hospitalizações aumentaram
progressivamente até atingirem o pico em 2021.
Apesar do aumento observado entre os ciclistas, mais da
metade dos internados por acidentes de trânsito ainda são motociclistas. Dos
234 mil hospitalizados no SUS em 2021, cerca de 127 mil pertencem a esse grupo.
Além disso, a maior parte dos motociclistas hospitalizados (cerca de 75% deles)
foi atendida em caráter de urgência, o que indica maior gravidade das
ocorrências. O atendimento hospitalar desse grupo é o mais custoso para os
cofres públicos. As internações de motociclistas lesionados em acidentes no ano
de 2021 custaram, ao todo, 187 milhões de reais. Esse valor é sete vezes o
custo de internação dos feridos em acidentes com carros, 27 milhões.
Disponível
em: https://piaui.folha.uol.com.br/na-estrada-sem-cinto-nem-capacete/. Acesso
em: ago. 2022.
Em relação ao Texto I,
informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a
alternativa com a sequência correta.
( ) Em “A rodovia BR-101, no trecho localizado em Santa
Catarina, foi a campeã de acidentes em 2021.”, há a presença de aposto entre as
vírgulas.
( ) As palavras retiradas do texto “histórica”, “trânsito”
e “número'' são regidas pela mesma regra de acentuação gráfica, ou seja, são
paroxítonas e, por esse motivo, todas elas devem ser acentuadas.
( ) Em “Naquele ano, a Polícia Rodoviária Federal registrou
71 mil infrações por falta de capacete – quase 24 mil a mais que no ano
anterior. Em 2019, foram cerca de 47 mil infrações desse tipo”, o travessão
poderia ser substituído por vírgula, sem prejuízo de sentido.
( )
Em “Mas a BR-116, conhecida como a rodovia da morte, é mais letal –
especialmente no estado de São Paulo, cujo trecho concentra o maior número de
vítimas do país”, o termo “cujo” corresponde ao termo “estado de São Paulo”.