Questão FC195290
Como fazemos isso?
Morfologia
Instituto AVALIA · 2024
Leia o texto a seguir para responder à questão
Qualidade de vida e a cura da criança interior
Virgínia Leal
O que tem a ver qualidade de vida com as experiências que tivemos na infância? De que forma elas interferem, até hoje, em nossas atitudes, pensamentos e sentimentos? Tem tudo a ver. A criança não tem pensamentos e sentimentos elaborados, e só registra duas sensações: a de dor e a de prazer. A criança é capaz da entrega plena ao prazer. Ao observar uma criança, percebe-se isso.
Por que, então, deixamos de viver essa plenitude ao nos tornarmos adultos?
Há um momento, em geral na primeira infância, em que a criança sente uma dor profunda. Ela se sente abandonada e/ou desprotegida pela figura materna ou paterna, ou por ambos. Isso não quer dizer que de fato o abandono ou a desproteção tenham acontecido; como foi dito, os sentimentos e pensamentos infantis são ainda muito rudimentares. Se aconteceu ou não, não é relevante: para ela, a experiência foi real.
Quando a criança se sente ferida, ela constrói um mecanismo de proteção para que possa sobreviver emocionalmente. Esse mecanismo não pensa, só reage. Ele é feito de instintos e emoções e sobrevive na fase adulta, no aspecto imaturo das emoções.
É preciso não julgar essa parte imatura de nosso ser, se queremos conhecê-la. Todos nós temos uma.
É preciso entender que a criança precisou dessa defesa para sobreviver, mas é possível ao adulto abrir mão dela.
É preciso dar segurança a essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que, no mundo adulto, não há lugar para ela. Ela ainda vive dentro de nós, cristalizada no momento em que se sentiu impotente. E como não a olhamos e ela quer ser vista, muitas vezes ela é nossa voz e nossas atitudes, expressas através dessa defesa.
Toda vez que reagimos a uma situação que se assemelha ao vivido pela nossa criança ferida, é ela que nos comanda. Não estamos interagindo com o presente, reagimos ao passado. Acontece que não temos consciência disso, e tudo que vive no inconsciente cresce e nos domina.
E o que fazer para evitar sermos dominados por essa voz imatura?
É preciso conhecer essa parte nossa tão escondida de nós mesmos. Ela quer ser vista, validada, acolhida, cuidada e amada.
Como fazemos isso?
Ao observar nossas reações e atitudes que nos causam mal-estar, desconforto, constrangimento; quando nos sentirmos inadequados, vítimas de pessoas ou situações; quando nos defendermos, culpando o mundo ou as pessoas por nossa infelicidade; quando projetarmos no outro o que não queremos ver em nós. Em todos esses casos, é a consciência imatura que fala mais alto e tolhe o nosso discernimento.
(...)
E, para sermos felizes, precisamos ajudar nossa criança ferida a crescer, e dessa forma sermos maduros emocionalmente, único caminho para assumirmos a responsabilidade por nossas vidas e construirmos, de forma consciente, uma realidade melhor.
Adaptado de: https://aeap-pe.com/poemas-e-cronicas/.
Assinale a alternativa que estabelece corretamente a relação entre o verbo ou a locução verbal destacada e o sentido expresso entre parênteses.
- “Por que, então, deixamos de viver essa plenitude ao nos tornarmos adultos?” (início de ação duradoura).
- “De que forma elas interferem, até hoje, em nossas atitudes, pensamentos e sentimentos?” (ação que acontece uma única vez no presente).
- “Isso não quer dizer que de fato o abandono ou a desproteção tenham acontecido” (ação no passado anterior a alguma outra ação, também, passada).
- “A criança é capaz da entrega plena ao prazer” (ação na voz passiva).
- “Não estamos interagindo com o presente, reagimos ao passado” (ação duradoura projetada para um futuro próximo).
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Vamos analisar a alternativa correta, que é:
“Isso não quer dizer que de fato o abandono ou a desproteção tenham acontecido” (ação no passado anterior a alguma outra ação, também, passada).
A construção verbal tenham acontecido é um exemplo do pretérito perfeito composto do subjuntivo.
Esse tempo verbal é formado pelo verbo auxiliar ter, conjugado no presente do subjuntivo (tenham), seguido do particípio do verbo principal (acontecido). Isso nos indica que a ação de acontecer é anterior a outra ação também no passado.
Em termos práticos, isso quer dizer que o abandono ou a desproteção podem ter ocorrido em um momento anterior a alguma outra experiência ou vivência mencionada no texto. Essa relação de anterioridade é um aspecto fundamental para se entender o contexto em que a frase foi construída.
Portanto, a escolha da alternativa C é correta, pois ela reflete com precisão a temporalidade da ação indicada pelos verbos usados. Compreender essa estrutura é essencial para a análise de textos e a interpretação adequada de situações que se desenrolam no passado.
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