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Questão FC195304

Considere o texto a seguir para responder a questão A ARTE DE COMBATER A SOLIDÃO NA GRANDE CIDADE Com cada vez mais gente morando sozinha, a cidade vai ter que suprir a possibilida

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

Instituto AVALIA · 2024

Considere o texto a seguir para responder a questão

 

A ARTE DE COMBATER A SOLIDÃO NA GRANDE CIDADE

 

Com cada vez mais gente morando sozinha, a cidade vai ter que suprir a possibilidade de encontros.

 

Mauro Calliari

 

Cada vez mais pessoas moram sozinhas no Brasil. Em pouco mais de dez anos, o percentual de lares unipessoais aumentou de 12% para quase 16%. São 11,8 milhões no país, distribuídas em todas as idades.

 

Nos Estados Unidos, esse número chega a mais de 30%. Anos atrás, um comunicado do Ministério da Saúde americano alertou para a epidemia de solidão. Morar sozinho não é nem bom, nem ruim, mas, seres gregários que somos, não dá para não constatar que na cidade grande, a "solitude", aquela sensação de estar bem consigo mesmo, pode muitas vezes descambar para a solidão mesmo, aquela sensação de que algo está acontecendo e você ficou de fora.

 

O assunto é sério, está crescendo e precisa de cidades que ajudem pessoas a se encontrarem. E aqui temos uma contradição: São Paulo oferece milhares de oportunidades de encontros, espaços públicos, cursos, lazer, até de graça. E ao mesmo tempo não facilita que as pessoas cheguem aos lugares e se sintam seguras nos seus deslocamentos.

 

O encontro virtual e o encontro real

 

Atualmente, multiplicam-se as possibilidades do que fazemos em casa. A economia de tempo e a conveniência são ótimas, mas o mundo virtual tem limitações. A maior delas é justamente a supressão de oportunidades de surpresas, conversas e encontros imprevistos.

 

Por mais desprezado que seja, o papo furado, a conversinha fiada, faz parte da vida urbana. Na fila da catraca do metrô, no caixa do supermercado ao encontrar um vizinho, sempre tem espaço para um comentário rápido, uma troca de opiniões que pode dar alguma cor ao dia. [...]

 

A arquitetura e o urbanismo fazem diferença

 

Uma pesquisa de 2017, em Vancouver, mostrou algo incrível: quem mora em prédios mais altos do que cinco andares tem mais dificuldade de conhecer vizinhos. Se for assim, é bem possível que a forma pouco inspirada da nossa verticalização — prédios altíssimos, estúdios minúsculos, garagens ostensivas e pouca interação com a rua — esteja jogando contra a vida na rua, que poderia ganhar densidade e vitalidade com mais predinhos baixos no lugar de casas.

 

Outra modalidade de construção que pode combater a solidão são os cohousings [coabitações]. Começaram na Dinamarca, espalharam-se por outros países e começaram a chegar ao Brasil, com mais de 20 projetos em andamento. Num modelo mais criativo do que o condomínio tradicional, cada pessoa mora em sua casa, mas os projetos preveem uma área comum, que abriga as atividades coletivas. Nas mais de 300 comunidades nos Estados Unidos, o pessoal cozinha junto, planta horta, cuida do jardim.

 

Olhando para tudo isso, tanto o zoneamento como o Plano Diretor recentemente aprovados têm pouquíssimo a oferecer para a urbanidade paulistana. Todo o esforço parece estar na regulação das edificações, na verticalização pouco criativa e quase nada na criação de espaços públicos e privados que estimulem a convivência na cidade e com a cidade. A solidão também se combate com desenho urbano.

 

(Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mauro-calliari/2024/04/a-arte-de-combater-a-solidao-na-grande-cidade.shtml)

 

Em "Por mais desprezado que seja, o papo furado, a conversinha fiada, faz parte da vida urbana.", a expressão em destaque

  1. estabelece uma relação de antonímia com a expressão "conversinha fiada".
  2. está empregada em seu sentido conotativo, isto é, figurado.
  3. apresenta uma ambiguidade, ou seja, tem mais de uma interpretação possível, gerando um problema semântico para o texto.
  4. é um hipônimo do hiperônimo "papo", sendo este um termo semanticamente mais geral que engloba a expressão específica "papo furado".
  5. é antônimo do termo “papo”, já que “papo furado” veicula o sentido de uma interação que não é, de fato, um “papo”.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa correta é:

B: está empregada em seu sentido conotativo, isto é, figurado.

Vamos entender o porquê dessa afirmação:

A expressão "papo furado" não deve ser interpretada em seu sentido literal. Quando falamos de "papo" em um contexto cotidiano, estamos nos referindo a uma conversa ou bate-papo. Entretanto, a adição de "furado" implica que esse tipo de conversa não tem substância ou importância, transformando-a em algo que, apesar de presente, carece de valor real.

Assim, usamos a expressão de forma figurativa para referir-nos a conversas triviais ou superficiais que ocorrem no dia a dia urbano, como aquelas trocas rápidas em filas ou no supermercado. O sentido conotativo aqui nos leva a compreender que a expressão não se refere literalmente a um "papo que fura", mas sim a algo que, embora possa parecer despretensioso, faz parte das interações sociais que ajudam a combater a solidão.

Dessa forma, a correta classificação da expressão como conotativa reflete sua função dentro do contexto social descrito no texto: um elemento importante da vivência urbana que, por vezes, é subestimado, mas que contribui para a formação de laços e o bem-estar emocional das pessoas.

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