FC ConcursosFC Concursos

Questão FC195372

Como fazemos isso?

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto AVALIA · 2024

Leia o texto a seguir para responder à questão

Qualidade de vida e a cura da criança interior

 

Virgínia Leal

 

O que tem a ver qualidade de vida com as experiências que tivemos na infância? De que forma elas interferem, até hoje, em nossas atitudes, pensamentos e sentimentos? Tem tudo a ver. A criança não tem pensamentos e sentimentos elaborados, e só registra duas sensações: a de dor e a de prazer. A criança é capaz da entrega plena ao prazer. Ao observar uma criança, percebe-se isso.

Por que, então, deixamos de viver essa plenitude ao nos tornarmos adultos?

Há um momento, em geral na primeira infância, em que a criança sente uma dor profunda. Ela se sente abandonada e/ou desprotegida pela figura materna ou paterna, ou por ambos. Isso não quer dizer que de fato o abandono ou a desproteção tenham acontecido; como foi dito, os sentimentos e pensamentos infantis são ainda muito rudimentares. Se aconteceu ou não, não é relevante: para ela, a experiência foi real.

Quando a criança se sente ferida, ela constrói um mecanismo de proteção para que possa sobreviver emocionalmente. Esse mecanismo não pensa, só reage. Ele é feito de instintos e emoções e sobrevive na fase adulta, no aspecto imaturo das emoções.

É preciso não julgar essa parte imatura de nosso ser, se queremos conhecê-la. Todos nós temos uma.

É preciso entender que a criança precisou dessa defesa para sobreviver, mas é possível ao adulto abrir mão dela.

É preciso dar segurança a essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que, no mundo adulto, não há lugar para ela. Ela ainda vive dentro de nós, cristalizada no momento em que se sentiu impotente. E como não a olhamos e ela quer ser vista, muitas vezes ela é nossa voz e nossas atitudes, expressas através dessa defesa.

Toda vez que reagimos a uma situação que se assemelha ao vivido pela nossa criança ferida, é ela que nos comanda. Não estamos interagindo com o presente, reagimos ao passado. Acontece que não temos consciência disso, e tudo que vive no inconsciente cresce e nos domina.

E o que fazer para evitar sermos dominados por essa voz imatura?

É preciso conhecer essa parte nossa tão escondida de nós mesmos. Ela quer ser vista, validada, acolhida, cuidada e amada.

Como fazemos isso?

Ao observar nossas reações e atitudes que nos causam mal-estar, desconforto, constrangimento; quando nos sentirmos inadequados, vítimas de pessoas ou situações; quando nos defendermos, culpando o mundo ou as pessoas por nossa infelicidade; quando projetarmos no outro o que não queremos ver em nós. Em todos esses casos, é a consciência imatura que fala mais alto e tolhe o nosso discernimento.

(...)

E, para sermos felizes, precisamos ajudar nossa criança ferida a crescer, e dessa forma sermos maduros emocionalmente, único caminho para assumirmos a responsabilidade por nossas vidas e construirmos, de forma consciente, uma realidade melhor.

Adaptado de: https://aeap-pe.com/poemas-e-cronicas/.

 

Em relação ao texto “Qualidade de vida e a cura da criança interior”, é correto afirmar que ele apresenta, predominantemente,

  1. características da fase infantil que se projetam na fase adulta, que devem ser eliminadas a todo custo, para a sobrevivência da espécie humana.
  2. ideias e orientações gerais sobre comportamento humano, envolvendo diferenças entre as fases infantil e adulta.
  3. justificativas sobre o comportamento humano adulto, impossível de ser modificado em virtude da formação que as pessoas têm enquanto crianças.
  4.  efeitos das modernas tecnologias sobre o comportamento humano, pela intensidade de contato com telas e redes sociais por parte das crianças.
  5. causas e consequências do comportamento adulto imaturo, relacionadas ao egoísmo e à hiperatividade.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

O texto “Qualidade de vida e a cura da criança interior” aborda principalmente a relação entre as fases infantil e adulta no que diz respeito ao comportamento humano.

O autor analisa como as experiências vividas na infância impactam as reações e emoções na vida adulta. Desde a sensação de dor e prazer que a criança é capaz de sentir, até os mecanismos de defesa que se formam quando ela enfrenta feridas emocionais. Esses aspectos são fundamentais para entender como a maturidade emocional se desenvolve ao longo do tempo.

Ao abordar a necessidade de dar atenção à “criança interna”, o texto sugere que as dificuldades emocionais presentes na fase adulta estão frequentemente ligadas a essas experiências da infância. Portanto, o autor propõe que para sermos mais plenos e conscientes em nossas ações, precisamos reconhecer e acolher essa parte imatura de nós mesmos.

Assim, a alternativa correta é eficaz ao destacar que o texto proporciona ideias gerais sobre o comportamento humano, evidenciando a interconexão das fases infantil e adulta e como estas influenciam a qualidade de vida.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo