Questão FC195375
Como fazemos isso?
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto AVALIA · 2024
Leia o texto a seguir para responder à questão
Qualidade de vida e a cura da criança interior
Virgínia Leal
O que tem a ver qualidade de vida com as experiências que tivemos na infância? De que forma elas interferem, até hoje, em nossas atitudes, pensamentos e sentimentos? Tem tudo a ver. A criança não tem pensamentos e sentimentos elaborados, e só registra duas sensações: a de dor e a de prazer. A criança é capaz da entrega plena ao prazer. Ao observar uma criança, percebe-se isso.
Por que, então, deixamos de viver essa plenitude ao nos tornarmos adultos?
Há um momento, em geral na primeira infância, em que a criança sente uma dor profunda. Ela se sente abandonada e/ou desprotegida pela figura materna ou paterna, ou por ambos. Isso não quer dizer que de fato o abandono ou a desproteção tenham acontecido; como foi dito, os sentimentos e pensamentos infantis são ainda muito rudimentares. Se aconteceu ou não, não é relevante: para ela, a experiência foi real.
Quando a criança se sente ferida, ela constrói um mecanismo de proteção para que possa sobreviver emocionalmente. Esse mecanismo não pensa, só reage. Ele é feito de instintos e emoções e sobrevive na fase adulta, no aspecto imaturo das emoções.
É preciso não julgar essa parte imatura de nosso ser, se queremos conhecê-la. Todos nós temos uma.
É preciso entender que a criança precisou dessa defesa para sobreviver, mas é possível ao adulto abrir mão dela.
É preciso dar segurança a essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que, no mundo adulto, não há lugar para ela. Ela ainda vive dentro de nós, cristalizada no momento em que se sentiu impotente. E como não a olhamos e ela quer ser vista, muitas vezes ela é nossa voz e nossas atitudes, expressas através dessa defesa.
Toda vez que reagimos a uma situação que se assemelha ao vivido pela nossa criança ferida, é ela que nos comanda. Não estamos interagindo com o presente, reagimos ao passado. Acontece que não temos consciência disso, e tudo que vive no inconsciente cresce e nos domina.
E o que fazer para evitar sermos dominados por essa voz imatura?
É preciso conhecer essa parte nossa tão escondida de nós mesmos. Ela quer ser vista, validada, acolhida, cuidada e amada.
Como fazemos isso?
Ao observar nossas reações e atitudes que nos causam mal-estar, desconforto, constrangimento; quando nos sentirmos inadequados, vítimas de pessoas ou situações; quando nos defendermos, culpando o mundo ou as pessoas por nossa infelicidade; quando projetarmos no outro o que não queremos ver em nós. Em todos esses casos, é a consciência imatura que fala mais alto e tolhe o nosso discernimento.
(...)
E, para sermos felizes, precisamos ajudar nossa criança ferida a crescer, e dessa forma sermos maduros emocionalmente, único caminho para assumirmos a responsabilidade por nossas vidas e construirmos, de forma consciente, uma realidade melhor.
Adaptado de: https://aeap-pe.com/poemas-e-cronicas/.
“É preciso dar segurança a essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que no mundo adulto não há lugar para ela.” Considerando que o trecho acima foi reescrito, com algumas alterações, como flexão de número (singular/plural) e acentuação gráfica, assinale a alternativa em que a forma reescrita se mantém totalmente de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
- É preciso dar segurança a essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que, no mundo adulto, não existe lugares para ela.
- É preciso dar segurança à essas crianças internas que foram relegadas, porque acreditamos que, no mundo adulto, não tem lugares para elas.
- É preciso dar segurança à essa criança interna que foi relegada, porque acreditamos que, no mundo adulto, não existe lugares para ela.
- É preciso dar segurança a essas crianças internas que foram relegadas, porque acreditamos que, no mundo adulto, não há lugares para elas.
- É preciso dar segurança à essas crianças internas que foram relegadas, porque acreditamos que, no mundo adulto, não têm lugares para elas.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D é a correta porque respeita as normas da Língua Portuguesa em relação à flexão de número e à acentuação gráfica. Vamos analisar as alterações realizadas:
Flexão de número: A expressão "criança interna" foi alterada para "crianças internas". Essa mudança é adequada pois reflete não apenas uma, mas várias experiências emocionais, ampliando a ideia marcada no texto original.
Verbo e concordância: "foram relegadas" está concordando corretamente em número com "crianças internas", mostrando que todas essas crianças internas precisam de segurança. A concordância entre sujeito e verbo é crucial para manter a propriedade da frase.
Uso de locuções: A frase "não há lugares para elas" está em conformidade com a norma, utilizando a forma plural, que se alinha com a pluralidade de "crianças". O uso de "elas" também faz referência correta ao novo sujeito.
Além de estar gramaticalmente correta, a reescrita mantém o sentido do trecho original, tratando da necessidade emocional que todos têm de dar segurança àquela parte infantil que existe dentro de nós, mas que muitas vezes pode ser negligenciada na vida adulta.
Assim, a alternativa D se destaca por sua clareza e conformidade com as regras gramaticais, além de respeitar o conteúdo e a mensagem do texto original.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em