Questão FC195393
O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se c
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto AVALIA · 2024
Leia o texto para responder a questão abaixo.
A prisão de pensamentos
Nilson Lattari
O pensamento é uma forma de prisão. A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista. Ela pode ser tudo isso, e sim, ela pode ser tudo isso. Andar na contramão dos outros, pensar diferente em uma roda de amigos, ouvir conversas e aquela vontade de intervir, dizer que não é bem isso. Confessar que não se sabe muito sobre o assunto. Mas, seguramente, quando ouvir o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.
É doce a liberdade de saber. Mas existe uma inveja em não saber nada, viver dos próprios pensamentos e conclusões e a partir do momento que perdemos tempo em nossas vidas para aprender, em vez de nos dar liberdade de entender o mundo, nos tornamos prisioneiros em buscar o sentido que o mundo deveria ter e não tem.
Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos. Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados e nos confinamos em uma bolha, achando que estamos livres, mas estamos presos dentro de nós mesmos.
O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se comunicar por inteiro, nós nos perguntamos: o que fizemos da liberdade que conseguimos?
A liberdade é doce, mas precisamos, algumas vezes, fazer dieta. Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência para nós e deveria fazer sentido para muitos. Mas a coerência também perdeu a batalha e, assim como a liberdade, cada um tem a sua.
A prisão dos pensamentos só faz sentido para os prisioneiros. Há um isolamento espontâneo, procurado, porque, assim como no mito da caverna, é mais confortável acreditar nas sombras e aceitar o sentido que elas nos dão do que sair e encontrar a luz. A escuridão traz o conforto e o sono, a luz traz a obrigação de ver, sentir e sofrer com ela. A luz do sol nos traz calor e queimaduras, e nenhuma sombra para abrigar. Haverá coerência em sofrer para viver sob o sol? A questão é que o prisioneiro faz perguntas para tentar sair da prisão, e os livres querem as respostas, desde que não precisem sair na luz do sol.
Fonte: https://ofolhademinas.com.br/materia/39368/coluna/a-prisao-de-pensamentos.
A ideia geral presente no texto “A prisão de pensamentos” é que essa forma de aprisionamento é
- involuntária e perigosa, decorrente inclusive do grau alcançado pela liberdade de pensamento.
- voluntária e confortável, decorrente inclusive do grau alcançado pela liberdade de pensamento.
- voluntária e perigosa, além de ser necessária à vida pelo compartilhamento de ideias.
- uma propriedade que só existe porque nunca foi dada liberdade plena de pensamento ao homem.
- uma propriedade que só existe em teoria, pois, na prática, é impossível o homem aprisionar seus pensamentos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa correta (B) afirma que a prisão de pensamentos é voluntária e confortável, resultante do grau alcançado pela liberdade de pensamento.
Esse conceito revela que muitas vezes as pessoas se sentem à vontade dentro de suas crenças limitantes. Escolher não questionar as próprias ideias e permanecer dentro de uma bolha é uma forma de proteção pessoal. Essa condição se torna uma prisão, onde se aceita uma realidade superficial, evitando enfrentar a complexidade do mundo.
A voluntariedade desse aprisionamento é um ponto crucial, pois implica que as pessoas, de certa maneira, optam por permanecer em um estado de conforto, mesmo que isso signifique negar o que poderia ser uma liberdade plena. A ideia de que sair dessa bolha exigiria esforço, reflexão e enfrentamento da realidade faz com que muitos escolham permanecer em suas zonas de conforto.
Assim, essa prisão não é imposta externamente, mas sim uma decisão interna. A liberdade de pensamento, que deveria abrir caminhos para diferentes perspectivas, muitas vezes resulta em um paradoxo: a liberdade de escolher pensar de forma restrita e confortável leva à limitação de experiências e concepções.
Portanto, a interpretação correta desse trecho é que a busca pela liberdade é um processo contínuo, e a prisão dos pensamentos, ao ser confortável e voluntária, serve como um alerta para que todos possam refletir sobre suas próprias limitações e sobre a importância de buscar uma compreensão mais ampla e verdadeira do mundo.
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