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Questão FC195396

O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se c

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto AVALIA · 2024

Leia o texto para responder a questão abaixo.

A prisão de pensamentos

 

Nilson Lattari

 

O pensamento é uma forma de prisão. A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista. Ela pode ser tudo isso, e sim, ela pode ser tudo isso. Andar na contramão dos outros, pensar diferente em uma roda de amigos, ouvir conversas e aquela vontade de intervir, dizer que não é bem isso. Confessar que não se sabe muito sobre o assunto. Mas, seguramente, quando ouvir o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.

   

É doce a liberdade de saber. Mas existe uma inveja em não saber nada, viver dos próprios pensamentos e conclusões e a partir do momento que perdemos tempo em nossas vidas para aprender, em vez de nos dar liberdade de entender o mundo, nos tornamos prisioneiros em buscar o sentido que o mundo deveria ter e não tem.

 

Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos. Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados e nos confinamos em uma bolha, achando que estamos livres, mas estamos presos dentro de nós mesmos.

 

O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se comunicar por inteiro, nós nos perguntamos: o que fizemos da liberdade que conseguimos?

   

A liberdade é doce, mas precisamos, algumas vezes, fazer dieta. Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência para nós e deveria fazer sentido para muitos. Mas a coerência também perdeu a batalha e, assim como a liberdade, cada um tem a sua.

 

A prisão dos pensamentos só faz sentido para os prisioneiros. Há um isolamento espontâneo, procurado, porque, assim como no mito da caverna, é mais confortável acreditar nas sombras e aceitar o sentido que elas nos dão do que sair e encontrar a luz. A escuridão traz o conforto e o sono, a luz traz a obrigação de ver, sentir e sofrer com ela. A luz do sol nos traz calor e queimaduras, e nenhuma sombra para abrigar. Haverá coerência em sofrer para viver sob o sol? A questão é que o prisioneiro faz perguntas para tentar sair da prisão, e os livres querem as respostas, desde que não precisem sair na luz do sol.

Fonte: https://ofolhademinas.com.br/materia/39368/coluna/a-prisao-de-pensamentos.

 

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta das relações sintáticas estabelecidas no período correspondente.

  1. “Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos.” — O sintagma “de causar um desentendimento dentro de nós mesmos” é uma oração reduzida de infinitivo, de valor substantivo, que exerce a função de objeto indireto, completando o sentido da oração anterior.
  2. “nós nos perguntamos: o que1 fizemos da liberdade que2 conseguimos?” — A palavra “que” sinalizada com o número 2 é uma conjunção que introduz uma oração de valor substantivo do tipo objetiva direta, completando o sentido do verbo correspondente.
  3. “A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista.” — O termo “contundente, despropositada, oportunista” funciona como um objeto direto, completando o sentido da forma verbal “parecer”.
  4. “Mas, seguramente, quando ouvir o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.” — O sintagma “onde nos confinamos” é uma oração adjetiva, do tipo restritiva, introduzida por um pronome relativo.
  5. “Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos.” — O termo “vã” exerce a função de complemento nominal, completando o sentido do substantivo “tentativa”.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Na alternativa D, encontramos a expressão “onde nos confinamos” que se refere aos pensamentos. Vamos analisar essa estrutura.

O termo “onde” é um pronome relativo que é utilizado para introduzir a oração adjetiva. As orações adjetivas são aquelas que trazem informações adicionais sobre um substantivo, funcionando como um adjetivo.

No caso, a expressão “onde nos confinamos” está especificando o tipo de grades a que nos referimos; ou seja, são as grades dos pensamentos em que nós nos encontramos aprisionados. Essa oração é restritiva porque é essencial à compreensão do sentido da frase, pois sem ela, o leitor não teria a mesma clareza acerca do que se entende por “grades”.

Além disso, podemos destacar que a estrutura adicionada pelo pronome onde ajuda a estabelecer uma relação lógica entre o que foi dito anteriormente e a condição de se sentir confinado em nossos próprios pensamentos. Essa relação de dependência é uma característica marcante das orações adjetivas restritivas.

Em suma, a alternativa D está correta ao afirmar que “onde nos confinamos” é uma oração adjetiva restritiva introduzida por um pronome relativo, pois proporciona uma descrição importante que caracteriza o estado dos pensamentos. Essa estrutura enriquece a compreensão da mensagem transmitida pelo autor, que discute a natureza das limitações que enfrentamos em nosso próprio modo de pensar.

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