Questão FC195398
O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se c
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto AVALIA · 2024
Leia o texto para responder a questão abaixo.
A prisão de pensamentos
Nilson Lattari
O pensamento é uma forma de prisão. A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista. Ela pode ser tudo isso, e sim, ela pode ser tudo isso. Andar na contramão dos outros, pensar diferente em uma roda de amigos, ouvir conversas e aquela vontade de intervir, dizer que não é bem isso. Confessar que não se sabe muito sobre o assunto. Mas, seguramente, quando ouvir o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.
É doce a liberdade de saber. Mas existe uma inveja em não saber nada, viver dos próprios pensamentos e conclusões e a partir do momento que perdemos tempo em nossas vidas para aprender, em vez de nos dar liberdade de entender o mundo, nos tornamos prisioneiros em buscar o sentido que o mundo deveria ter e não tem.
Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos. Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados e nos confinamos em uma bolha, achando que estamos livres, mas estamos presos dentro de nós mesmos.
O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se comunicar por inteiro, nós nos perguntamos: o que fizemos da liberdade que conseguimos?
A liberdade é doce, mas precisamos, algumas vezes, fazer dieta. Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência para nós e deveria fazer sentido para muitos. Mas a coerência também perdeu a batalha e, assim como a liberdade, cada um tem a sua.
A prisão dos pensamentos só faz sentido para os prisioneiros. Há um isolamento espontâneo, procurado, porque, assim como no mito da caverna, é mais confortável acreditar nas sombras e aceitar o sentido que elas nos dão do que sair e encontrar a luz. A escuridão traz o conforto e o sono, a luz traz a obrigação de ver, sentir e sofrer com ela. A luz do sol nos traz calor e queimaduras, e nenhuma sombra para abrigar. Haverá coerência em sofrer para viver sob o sol? A questão é que o prisioneiro faz perguntas para tentar sair da prisão, e os livres querem as respostas, desde que não precisem sair na luz do sol.
Fonte: https://ofolhademinas.com.br/materia/39368/coluna/a-prisao-de-pensamentos.
Em relação aos enunciados entre aspas e a proposta de reescrita deles, com alteração na colocação pronominal, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) “Confessar que não se sabe muito sobre o assunto.” — Confessar que não sabe-se muito sobre o assunto.
( ) “o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.” — o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde confinamo-nos.
( ) “em vez de nos dar liberdade de entender o mundo” — em vez de dar-nos liberdade de entender o mundo.
( ) “Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados” — Este desentendimento se traduz quando sentimo-nos deslocados.
( ) “Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência” — Se torna muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência.
- F – V – F – V – F.
- V – V – F – V – F.
- V – F – V – F – V.
- F – F – V – F – V.
- F – F – V – F – F.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
F – F – V – F – F.A primeira questão afirma que a reescrita da frase “Confessar que não se sabe muito sobre o assunto” como “Confessar que não sabe-se muito sobre o assunto” é falsa. Isso ocorre porque a construção correta deve manter a concordância do verbo no infinitivo. Na forma original, a passagem é clara e direta; a mudança proposta não é adequada à norma-padrão da Língua Portuguesa.
A segunda afirmação é também falsa. Alterar a frase “o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos” para “o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde confinamo-nos” não é uma fórmula adequada de colocação pronominal. O correto seria que o pronome obedeça à posição de proparoxítonas, que não é o caso dessa reescrita.
A terceira afirmação é verdadeira. A reescrita de “em vez de nos dar liberdade de entender o mundo” para “em vez de dar-nos liberdade de entender o mundo” está correta, pois a colocação do pronome após o verbo é uma forma aceita na norma-padrão para enfatizar o contrário.
Na quarta afirmação, a reescrita de “Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados” para “Este desentendimento se traduz quando sentimo-nos deslocados” é falsa. Assim como na segunda questão, a proposta não segue a norma de colocação pronominal que seria mais adequada para manter a clareza e a eufonia da frase.
Por último, a reescrita de “Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência” para “Se torna muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência” é igualmente falsa. A expressão “Se torna” não é a forma correta; a construção precisa manter a estrutura que expõe o sujeito de forma clara e direta.
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