Questão FC195399
Leia o texto para responder a questão abaixo. O bicho Manuel Bandeira Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não exam
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto AVALIA · 2024
Leia o texto para responder a questão abaixo.
O bicho
Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/4828/o-bicho.
Em relação aos recursos utilizados no texto “O bicho”, assinale a alternativa que apresenta uma análise correta.
- A ordem dos elementos do primeiro verso (verbo + advérbio + complemento) poderia ser alterada sem provocar nenhuma mudança, tanto no sentido poético do texto quanto na sonoridade da estrofe.
- A ausência do sujeito no primeiro verso reforça a importância maior sobre a pessoa que praticou a ação, em comparação com a informação secundária sobre a própria ação.
- A evolução do emprego indefinido de “um bicho” no primeiro verso até o emprego definido de “o bicho” no último verso é acompanhada da apresentação de algumas atitudes desse ser ao longo do texto que justificam essa evolução.
- A gradação de elementos na última estrofe (cão, gato, rato, homem) culmina com a importância, valorização e superioridade do homem sobre todos os animais; o homem é apresentado, nesse caso, como um ser superior a todas as adversidades.
- Todas as ações apresentadas sobre o “bicho”, desde o início do texto, levam à única possibilidade interpretativa de que ele, de fato, fosse um homem.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na análise da alternativa correta (C), observamos um ponto crucial sobre o uso da linguagem no poema “O bicho” de Manuel Bandeira.
A expressão "um bicho" no primeiro verso é indefinida, indicando uma referência genérica, um ser qualquer, sem especificar sua identidade. Essa escolha inicial cria uma sensação de mistério e universalidade, podendo remeter a qualquer ser vivo que esteja em busca de sobrevivência.
No entanto, à medida que o poema avança, a palavra se transforma para "o bicho" no último verso, conferindo uma definição clara ao protagonista do texto. Com isso, não se trata mais de um ser anônimo, mas sim de um homem, o que traz à tona uma crítica social profunda.
Essa evolução no uso da linguagem está acompanhada por descrições de atitudes do “bicho” ao longo do texto. Por exemplo, a forma como esse ser catava comida entre detritos e engolia sem critério reflete uma condição de desespero e sobrevivência. Tais ações justificam a mudança de termo, pois agora o leitor pode compreender que, por trás da imagem genérica, existe uma figura humana, revelando uma crítica à situação de vulnerabilidade social.
Portanto, a evolução do uso da expressão "um bicho" para "o bicho" é intencional e significativa, ilustrando a transição de um ser qualquer para um sujeito específico que encarna uma realidade social crua.
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