Questão FC213268
O texto apresentado a seguir faz a crítica a uma percepção que atravessa o imaginário cultural brasileiro e marca, de forma profunda, a construção identitária de uma parcela da pop
Sociedade, Gênero, Raça, Desigualdade e Classe Social
CESGRANRIO · 2024
O texto apresentado a seguir faz a crítica a uma percepção que atravessa o imaginário cultural brasileiro e marca, de forma profunda, a construção identitária de uma parcela da população brasileira, bem como as relações sociais no Brasil.
É importante chamar a atenção para isso, porque o texto, de modo geral, é a reprodução do preconceito de não haver preconceito, como disse o Florestan Fernandes, e de tomar sempre os Estados Unidos como modelo: nos Estados Unidos é que tem racismo; aqui não tem, os negros mesmo dizem isso, e, sabemos, existe aí de montão.
Portanto, essa cidadania a que estamos nos referindo aqui no decorrer destes debates, a cidadania do negro é uma cidadania estraçalhada, é uma cidadania dilacerada [...]
GONZALES, L. A cidadania e a questão étnica. In: RIOS, F.; LIMA, M. (org). Por um feminismo afro-latino-americano:
ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 232-241. Adaptado.
A crítica citada se refere à ideia de
- benevolência do colonizador português
- teoria do colonialismo subdesenvolvedor
- mito do nativo preguiçoso
- mito da democracia racial
- complexo de vira-latas
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa correta aponta para o mito da democracia racial.
Esse mito sustenta a ideia de que o Brasil seria um país sem racismo, por causa da mistura racial e das relações supostamente harmoniosas entre brancos e negros.
No texto, a expressão "preconceito de não haver preconceito" expõe exatamente essa negação do racismo.
Ao naturalizar a ausência de racismo, o mito impede o reconhecimento das desigualdades raciais.
Isso significa que problemas estruturais — violência, desigualdade de renda, exclusão social e discriminação institucional — ficam invisibilizados.
Consequência prática: a cidadania dos negros fica “dilacerada”, como diz o autor, porque direitos formais existem, mas a efetivação desses direitos é comprometida pela discriminação não reconhecida.
Portanto, a crítica do texto atinge o mito da democracia racial por mostrar que a negação do racismo reforça desigualdades e fragiliza a plena cidadania da população negra.
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