Questão FC213425
A teoria das vantagens comparativas, proposta por David Ricardo, em 1817, é, ainda hoje, a principal base analítica para a defesa do livre-comércio na economia global. No entanto,
Economia Internacional
CESGRANRIO · 2024
A teoria das vantagens comparativas, proposta por David Ricardo, em 1817, é, ainda hoje, a principal base analítica para a defesa do livre-comércio na economia global. No entanto, como comenta Paul Krugman, no trecho seguinte, por causa de suas hipóteses irrealistas, o princípio ricardiano tem sido questionado na atualidade.
A defesa do comércio livre está, atualmente, mais em dúvida do que em qualquer momento desde a publicação, em 1817, dos Princípios de Economia Política de Ricardo. Este questionamento não decorre das pressões políticas por proteção, que triunfaram no passado, sem abalar os fundamentos intelectuais da teoria das vantagens comparativas. Pelo contrário, ele resulta das mudanças que ocorreram recentemente na própria teoria do comércio internacional [...]. Os novos modelos de comércio internacional não apenas deixam em dúvida até que ponto o comércio real pode ser explicado por vantagens comparativas, como também abrem a possibilidade de que a intervenção governamental, através de restrições às importações, subsídios à exportação e assim por diante, possa, em algumas circunstâncias, ser utilizada em prol do interesse nacional.
KRUGMAN, P. R. Is free trade passé? Journal of Economic Perspectives, v. 1, n. 2, 1987. p.131-132. Adaptado.
Em contraste com o que se observa no mundo real, a teoria das vantagens comparativas, na versão neoclássica do princípio ricardiano, pressupõe a prevalência de
- tecnologias sujeitas a retornos crescentes de escala.
- diferenciação de produtos como estratégia de competição.
- concorrência perfeita em todos os mercados.
- inovação como estratégia de posicionamento nos mercados.
- uso de marcas e patentes para estabelecer poder de monopólio.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa correta indica concorrência perfeita em todos os mercados como pressuposto da versão neoclássica do princípio ricardiano.
Isso significa, de forma didática:
- As firmas são tomadoras de preço, ou seja, não influenciam o preço de mercado (para cada bem vale \(p = MC\)).
- Os produtos são homogêneos e os agentes têm informação perfeita.
- Há livre entrada e saída, sem poder de mercado.
Por que esse pressuposto importa?
- Com concorrência perfeita, o padrão de comércio decorre exclusivamente das diferenças nos custos relativos e nas dotações de fatores entre países; assim, a especialização por vantagens comparativas é a explicação central para os fluxos comerciais.
- A hipótese elimina explicações baseadas em poder de mercado, diferenciação ou retornos crescentes, permitindo que o argumento de Ricardo se concentre em custos de oportunidade e ganhos mútuos com o comércio.
Em resumo: a concorrência perfeita é um pilar teórico que garante que a lógica das vantagens comparativas funcione como fundamento analítico do livre-comércio na versão neoclássica.
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