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Questão FC213427

No livro “Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos”, o economista André Nassif compara as formas distintas através das quais se mani

Economia Internacional

CESGRANRIO · 2024

No livro “Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos”, o economista André Nassif compara as formas distintas através das quais se manifesta o fenômeno da chamada “doença holandesa”.

 

A chamada doença holandesa (Dutch disease), como sugere a expressão, acometeu a Holanda nos anos 1960, quando foram descobertas consideráveis reservas de gás natural. Com mercados relativamente desregulados, o aumento da rentabilidade esperada acabou provocando forte realocação dos recursos produtivos da economia para o setor de recursos naturais não renováveis, reduzindo os investimentos na indústria manufatureira do país. Em 1977, a revista The Economist cunhou a expressão “doença holandesa” em alusão ao fenômeno […]. De acordo com a concepção novo-desenvolvimentista, a doença holandesa na periferia latino-americana e em diversos outros países em desenvolvimento, ao invés de replicar a forma clássica que afetou a Holanda, assume a forma concebida originalmente por Gabriel Palma. Nesse novo conceito de doença holandesa, o aumento da participação do setor de commodities na estrutura produtiva e na cesta exportadora resulta do conjunto de reformas econômicas liberalizantes (liberalização comercial, abertura ao fluxo internacional de capitais de curto prazo etc.), adotadas sob a forma de tratamento de choque, haja vista a intensidade e rapidez com que foram implementadas a partir da década de 1990.

 

NASSIF, A. Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos. São Paulo: Contracorrente, 2023. p. 219; 283-284. Adaptado.

 

Para os países fortemente dependentes das exportações de produtos primários e outras commodities, como o Brasil, nos períodos de boom de preços desses produtos nos mercados globais, a doença holandesa acarreta

  1. sobrevalorização das moedas nacionais em relação ao dólar e desindustrialização.
  2. sobrevalorização da moeda nacional em relação ao dólar e aumento da participação dos serviços de alta tecnologia no PIB.
  3. subvalorização das moedas nacionais em relação ao dólar e aumento da participação do setor manufatureiro no PIB.
  4. subvalorização da moeda nacional em relação ao dólar e fuga de capitais estrangeiros.
  5. subvalorização da moeda nacional em relação ao dólar e aumento da produtividade média agregada.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Alternativa correta: sobrevalorização das moedas nacionais em relação ao dólar e desindustrialização.

A explicação envolve dois mecanismos clássicos da doença holandesa:

1) Efeito gasto:
Quando há um boom nas exportações de commodities, entram mais divisas no país. Isso eleva a demanda pela moeda doméstica, levando à valorização real do câmbio. A moeda mais forte torna as importações relativamente mais baratas e as exportações não-commodities menos competitivas no mercado externo.

2) Efeito de realocação de fatores:
Recursos (trabalho e capital) migram para o setor de commodities, que oferece retornos mais altos no curto prazo. Com menor investimento e mão de obra na indústria manufatureira, ocorre perda de capacidade produtiva e de competitividade.

Resultado prático: a sobrevalorização cambial reduz as vendas externas de bens manufaturados e encurta o incentivo a investir na indústria, enquanto a realoção de fatores aprofunda essa perda de espaço produtivo — ou seja, desindustrialização.

Portanto, a alternativa está correta porque resume a sequência causal típica: boom de commodities → entrada de divisas → valorização da moeda → perda de competitividade industrial, culminando na desindustrialização.

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