Questão FC217056
(Mário Sérgio Cortella. Vamos pensar um pouco?
Semântica
VUNESP · 2025
Leia o texto para responder à questão.
Pizza, só de massa
Nós, brasileiros, criamos um hábito, nos 50 anos mais recentes, de dizer que um fato que teve um desdobramento indecente “acabou em pizza”. A expressão se popularizou, em grande parte, por causa de episódios envolvendo corrupção e desvio de conduta. Para tudo aquilo que nos causa a percepção de impunidade ─ não só, mas especialmente na vida pública ─, dizemos “ah, isso vai acabar em pizza”. Nós precisamos recusar essa ideia como algo normal em nosso cotidiano.
Muita gente imagina que a palavra “pizza” tenha origem no italiano, mas curiosamente ela vem do germânico antigo, que depois veio gerar o idioma alemão. No germânico antigo, bizzo significa “pedaço de pão”. Depois, houve a migração da palavra bizzo para a Itália, onde se transformou em “pizza” e daí foi para o mundo todo.
Migrou para nós, também, para a área da política, mas é preciso dar um basta e parar de dizer e admitir que tudo “vai acabar em pizza”. A pizza, que ganha aqui sentido figurado, significando malfeitoria, nós não devemos admitir em nosso cardápio.
(Mário Sérgio Cortella. Vamos pensar um pouco?
São Paulo: Cortez, 2017. Adaptado)
A leitura do texto permite afirmar, corretamente, que a expressão “acabou em pizza”
- teve origem na Itália, aproximadamente há meio século.
- relaciona-se à falta de solução e punição para atos ilícitos.
- é interpretada com naturalidade, pois fatos públicos estão sujeitos à punição.
- representa a falta de rigor na solução de casos insignificantes de corrupção.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa está correta porque o texto usa a expressão “acabou em pizza” no sentido figurado de impunidade diante de irregularidades. Cortella associa a frase a episódios de corrupção e “desdobramento indecente”, destacando que, quando um fato ilícito não é devidamente apurado ou punido, costuma-se dizer que ele “acabou em pizza”.
O autor reforça que essa interpretação tornou‑se um hábito nos últimos cinquenta anos e critica a naturalização desse resultado, convocando a sociedade a recusar esse destino de fatos sem solução. Assim, a expressão relaciona‑se diretamente à ausência de responsabilização pelos atos ilícitos.
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