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Questão FC217099

Leia o texto, para responder à questão O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e nada expõe mais a desigualdade do que o acesso à água e ao esgoto. Segundo o censo do IBG

Semântica

VUNESP · 2024

Leia o texto, para responder à questão

 

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e nada expõe mais a desigualdade do que o acesso à água e ao esgoto.

 

Segundo o censo do IBGE, com dados de 2022, quase 50 milhões de brasileiros, 1/4 da população, não têm coleta de esgoto. Quase 40 milhões despejam seus dejetos em fossas rudimentares ou buracos e cerca de 4 milhões em rios, lagos ou no mar. Mais de 6 milhões de brasileiros não têm acesso à água e dependem de caminhões-pipa ou água da chuva, rios ou açudes sem o devido tratamento.

 

Para adicionar insulto à injúria, 1,2 milhão de crianças estudam em colégios sem acesso à água potável. Além da incidência de doenças diretamente relacionadas à exposição a ambientes sem saneamento (leptospirose, disenteria, tifo, cólera), a falta de saneamento impacta o meio ambiente, a produtividade do trabalho, o aproveitamento escolar, os valores imobiliários e o turismo.

 

Essa tragédia humanitária não é uma consequência natural da realidade socioeconômica do Brasil – o saneamento básico no País está bem abaixo da média de outros países de renda média-alta e mesmo de renda média. Portanto, é só incúria, pura e simples, do poder público.

 

O Marco do Saneamento, aprovado em 2020, buscou reverter esse quadro, definindo metas para a universalização, obrigando a licitação para a escolha dos prestadores, garantindo mais segurança jurídica à privatização das companhias estaduais, estimulando a prestação regionalizada de serviços e conferindo à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) o papel de padronizar a regulação e a fiscalização dos serviços.

 

(Opinião do Estadão. Disponível em: <estadao.com.br/opinao>. Acesso em 28.02.2024. Adaptado)

 

Nas passagens – “Quase 40 milhões despejam seus dejetos em fossas rudimentares ou buracos …” (2o parágrafo) e “Portanto, é só incúria, pura e simples, do poder público.” (5o parágrafo) – as palavras destacadas têm sinônimos adequados, respectivamente, em

  1. objetos e descuido.
  2. lixos e inconstância.
  3. fezes e impertinência.
  4. excrementos e negligência.
  5. refugos e negociação.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Dejetos refere‑se a resíduos orgânicos eliminados pelo corpo. No contexto do texto, trata‑se claramente de fezes e despejo humano em fossas ou corpos d’água; por isso o sinônimo adequado é excrementos, palavra que designa especificamente aquilo que é excretado pelo organismo.

Incúria caracteriza omissão, falta de cuidado ou atenção em relação a deveres. Quando o autor atribui a tragédia sanitária ao poder público, quer enfatizar o descaso institucional. O termo negligência reproduz essa mesma ideia de omissão e responsabilidade não cumprida, sendo, portanto, sinônimo preciso nesse contexto.

Substituindo as palavras por esses sinônimos, a mensagem do texto permanece inalterada: trata‑se de descarte de excrementos e de grave negligência das autoridades.

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