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Questão FC217115

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão. A andorinha da torre Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio... Era a

Semântica

VUNESP · 2024

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão.

A andorinha da torre

 

Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

 

Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

 

Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

 

Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

 

Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava- os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

 

A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

 

Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.

 

(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024) * palhaços

 

Na passagem – ... sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam., as preposições que iniciam as expressões destacadas estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de

  1. causa, modo e consequência.
  2. finalidade, companhia e causa.
  3. finalidade, companhia e companhia.
  4. lugar, modo e conformidade.
  5. causa, companhia e conformidade.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase, a resposta correta é a sequência finalidade, companhia e causa. Vou analisar cada expressão na ordem em que aparecem.

A preposição a em "a meter‑se" indica finalidade: equivale a "para meter‑se", ou seja, ela fugia com a finalidade de entrar na torre.

A preposição com em "com o avô" marca companhia: mostra quem a acompanha na ação — o avô é o companheiro de entrada na torre.

A forma pelos (por + os) em "pelos velhos amigos de bronze" exprime causa: significa "por causa dos velhos amigos de bronze" — os sinos são a razão pela qual ela esquece as pessoas da cidade.

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