Questão FC217138
Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão. SONETO VIII Pede o desejo, dama, que vos veja, Não entende o que pede, está enganado. É este amor tão fino e tão delgado1,
Sintaxe
VUNESP · 2024
Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.
SONETO VIII
Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.
Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.
Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.
Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.
Em “É este amor tão fino e tão delgado, / Que quem o tem não sabe o que deseja.”, o trecho sublinhado expressa, em relação à oração que o antecede, ideia de
- causa.
- conformidade.
- comparação.
- consequência.
- concessão.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa é consequência. Na frase, a estrutura tão...que liga duas orações: a primeira apresenta a intensidade do amor; a segunda relata o efeito dessa intensidade.
Gramaticalmente, a oração que segue “que” funciona como oração subordinada consecutiva, pois expõe o resultado do que foi afirmado antes — ou seja, por ser tão delicado, esse amor provoca a consequência indicada.
Pode-se parafrasear: “É este amor tão fino e tão delgado, de modo que (consequentemente) quem o tem não sabe o que deseja.” Essa possibilidade de substituição confirma a relação de consequência.
Regra prática: locuções de grau como tão/tanto/tamanho...que costumam sinalizar consequência entre orações.
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