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Questão FC217140

Leia o texto para responder a questão. Sozinhos Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. R

Sintaxe

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder a questão.

 

Sozinhos

 

Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

 

– Ronca.

 

– Não ronco.

 

– Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

 

Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam os pais. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.

 

– Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Essa noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos. Vou gravar os seus roncos.

 

– Humrfm – diz o velho.

 

Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

 

Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

 

– Rarrá! – diz a velha, feliz.

 

Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

 

– Rarrá! – diz o velho, vingativo.

 

E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado.

 

“Estão prontos?”

 

“Não, acho que ainda não…”

 

“Então vamos voltar amanhã…”

 

(Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Adaptado)

 

Considere as passagens:

 

• Os filhos raramente visitam os pais. (5º parágrafo)

• Vou gravar os seus roncos. (6º parágrafo)

 

De acordo com a norma-padrão de emprego de pronomes e colocação pronominal, as passagens admitem, respectivamente, as reescritas:

  1. Os filhos raramente visitam-lhes. / Vou gravar eles.
  2. Os filhos os raramente visitam. / Vou gravar-lhes.
  3. Os filhos raramente visitam-nos. / Os vou gravar.
  4. Os filhos raramente visitam eles. / Vou lhes gravar.
  5. Os filhos raramente os visitam. / Vou gravá-los.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E apresenta as reescritas adequadas: Os filhos raramente os visitam. / Vou gravá-los.

No primeiro enunciado, o pronome que retoma “os pais” exerce função de objeto direto e, portanto, deve aparecer na forma do caso oblíquo (os), não como pronome do caso reto. Além disso, o advérbio raramente exige próclise (atrai o clítico para antes do verbo), justificando a posição: raramente os visitam.

No segundo, a locução verbal é vou + infinitivo. Nessa construção, o clítico pode juntar‑se ao infinitivo por ênclise, formando gravá‑los (com hífen), pois o pronome também é objeto direto do verbo gravar.

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