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Questão FC217144

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão. A andorinha da torre Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio... Era a

Sintaxe

VUNESP · 2024

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão.

A andorinha da torre

 

Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

 

Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

 

Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

 

Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

 

Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava- os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

 

A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

 

Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.

 

(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024) * palhaços

 

Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho – Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos... – está em conformidade com a norma-padrão.

  1. Festejavam-la muito, davam-lhe doces e beijos...
  2. Festejavam-lhe muito, davam-lhe doces e beijos...
  3. Festejavam muito ela, davam-lhes doces e beijos...
  4. Festejavam-a muito, davam-a doces e beijos...
  5. Festejavam-na muito, davam-lhe doces e beijos...
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Festejavam-na muito, davam-lhe doces e beijos está correta porque reproduz a norma-padrão de colocação e forma dos pronomes oblíquos.

O termo "aquela criança" funciona como objeto direto de "festejavam". O pronome oblíquo átono correspondente é a, que em posição enclítica e após verbo terminado em -m exige a inclusão do n, formando na: festejavam-na.

Já em "davam-lhe", o verbo "dar" rege objeto indireto ("a ela"), logo o pronome adequado é lhe. A colocação enclítica é natural aqui (verbo inicial da oração), resultando em davam-lhe doces e beijos.


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