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Questão FC217192

Leia o texto, para responder a questão O velho espelho do meu banheiro Ao longo dos anos nos ensinaram que o tempo é o soberano dos remédios e o melhor lenitivo para todas as dores

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

VUNESP · 2024

Leia o texto, para responder a questão

 

 

O velho espelho do meu banheiro

 

Ao longo dos anos nos ensinaram que o tempo é o soberano dos remédios e o melhor lenitivo para todas as dores. Ele sempre seria um bom amigo e um ótimo conselheiro. Com ele jamais nos preocupamos, mesmo porque o tínhamos como poderoso aliado, e assim caminhamos tranquilamente para a nossa juventude, nos fizemos homem e cidadão do mundo.

 

Os dias, contudo, foram se escoando rapidamente, mas de forma imperceptível. De repente, em uma cinzenta manhã de inverno, um atordoante despertar: o velho espelho de nosso banheiro nos deu o primeiro alerta: fios prateados invadiam sem cerimônia nosso decantado bigode negro e nossos cabelos se apresentavam rarefeitos.

 

É claro que nos recusamos a acreditar nas imagens refletidas. O problema certamente se devia ao nosso já velho espelho. Era preciso substituí-lo com urgência. Saímos de casa rapidamente e nos dirigimos à vidraçaria mais próxima e, sem questionar valores, compramos um novo espelho do mais puro cristal importado.

 

Voltamos sem demora e fomos ao banheiro para instalá- lo. Retiramos a embalagem protetora e, esperançosos, nos preparamos para nele nos mirar. Que amarga decepção! Nosso novo espelho, do mais puro cristal, simplesmente insistia em repetir a mesma imagem já mostrada pelo velho espelho, e nem o velho nem o novo estavam mentindo – ambos refletiam aquele nosso momento, sem retoques.

 

O tempo, não nos avisaram, era também terrível vilão, extremamente agressivo na sua permanente ação deletéria. O homem sempre tentou enfrentá-lo buscando nas panaceias farmacêuticas um medicamento seguro para derrotá-lo, mas tem fracassado. É que nossa vida é finita, e o tempo, infinito.

 

Assim, só venceremos o tempo, só poderemos subjugar sua voracidade quando abandonarmos a luta pela nossa própria sobrevivência, pois a morte é o único passaporte de que dispomos para chegar à eternidade. E lá, o tempo não poderá mais nos atingir, nem derrotar.

 

(Adail Vetorazzo, Revista Be Bem-estar, 03.03.2024. Adaptado)

 

A alternativa em que uma das vírgulas sinaliza a omissão de um termo é:

  1. Os dias, contudo, foram se escoando rapidamente… (3o parágrafo)
  2. O tempo, não nos avisaram, era também terrível vilão… (6o parágrafo)
  3. Retiramos a embalagem protetora e, esperançoso, nos preparamos… (5o parágrafo)
  4. É que nossa vida é finita, e o tempo, infinito. (6o parágrafo)
  5. Assim, só venceremos o tempo, só poderemos subjugar sua voracidade… (7o parágrafo)
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Gabarito

D

Comentário do professor

Na frase “É que nossa vida é finita, e o tempo, infinito.”, a vírgula após “o tempo” sinaliza a omissão de um termo, ou seja, há elipse.

Elipse é a supressão de uma palavra que se subentende no contexto. Aqui, o termo omitido é o verbo "ser" (cópula), que já aparece na oração anterior.

A forma completa recuperável é: “É que nossa vida é finita, e o tempo é infinito.” A repetição do verbo seria redundante, por isso foi suprimida e indicada pela vírgula.

Há também paralelismo sintático entre as duas orações predicativas — isso favorece a omissão do verbo, que se entende sem perda de sentido ou clareza.

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