FC ConcursosFC Concursos

Questão FC217201

— Olá, amigo, está indo para a aldeia?

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

VUNESP · 2024

Para responder à questão, leia o conto indígena “Mboi-tatá ou Fogo-fátuo”, história contada por Yaguareçá Sukuyê e escrita por Yaguarê Yamã.

 

Fogo-fátuo é o nome pelo qual se conhece o Mboi-tatá, que em nhengatu significa “cobra de fogo”. Ele é um ser visajento1, brilhante, que para os Maraguá, e especialmente para os habitantes do rio Urariá, se apresenta como uma luz que pinga, como se fosse uma vela.

 

Certa vez, um rapaz de uma aldeia saiu para ir a uma festa na aldeia vizinha. Muito interessado nas moças, ele demorou muito e acabou voltando depois da meia-noite. Como não havia levado lamparina para alumiar o caminho, foi andando aos tropeções pelo cacoal2 de uns dois quilômetros que separava as duas aldeias. Sempre é perigoso andar por dentro do cacoal, pois a luz do luar não atravessa as árvores, e muitas vezes há cobras venenosas, como a surukuku, a mais temida da região.

 

O rapaz vinha o tempo todo olhando para trás, torcendo para que viesse alguém com uma lamparina. Mas não vinha ninguém, e ele continuava andando, sempre com muito medo de ser picado por alguma cobra. De repente ele avistou uma luz muito ao longe e resolveu esperar, achando que fosse alguém da aldeia que vinha na sua direção. Quando a luz se aproximou, ele chamou:

 

— Olá, amigo, quem é você?

 

Só que ninguém respondeu. O rapaz recomeçou a andar, bem devagarinho, e meio cismado tornou a falar:

 

— Olá, amigo, está indo para a aldeia?

 

Mais uma vez, ninguém respondeu.

 

Muito desconfiado, o rapaz acelerou o passo. A luz se tornou mais forte e, pingando como uma vela, foi se aproximando mais depressa. O rapaz não quis ver mais nada. Saiu correndo, tropeçando no meio da escuridão, caindo e se levantando, com a luz misteriosa sempre atrás dele, tentando alcançá-lo.

 

Cansado de tanto correr, quase entregando os pontos, ele acabou deixando a escuridão do cacoal e avistou a aldeia logo à sua frente. Não deu nem para chegar em casa. Passou como um relâmpago pelo meio dos cachorros que latiam e se jogou contra a porta do primeiro tapiry3 que encontrou. Com o tranco, arrebentou a esteira de japá4 e caiu para dentro. O dono da casa acordou assustado, ouviu a história do rapaz e os dois saíram juntos para o terreiro. A luz estranha tinha sido atacada pelos cachorros, e eles ainda a viram se afastando e voltando a entrar no cacoal.

 

No dia seguinte a aldeia toda ficou sabendo do caso, e nunca mais ninguém teve coragem de passar por aquele cacoal à noite.

 

(Yaguarê Yamã. Murũgawa:

mitos, contos e fábulas do povo Maraguá, 2007.)

 

1 ser visajento (ou visagento): ser sobrenatural.

2 cacoal: aglomerado de cacaueiros.

3 tapiry: choupana que serve de abrigo.

4 japá: esteira de palha para cobrir ou servir de porta.

 

Uma pontuação alternativa para um trecho do texto, sem prejuízo para a sua correção gramatical, está em:

  1. “De repente ele avistou uma luz muito ao longe e resolveu esperar, achando que fosse alguém da aldeia que vinha na sua direção.” (3º parágrafo) → De repente, ele avistou uma luz muito ao longe e resolveu esperar, achando que fosse alguém da aldeia que vinha na sua direção.
  2. “O rapaz vinha o tempo todo olhando para trás, torcendo para que viesse alguém com uma lamparina.” (3º parágrafo) → O rapaz vinha o tempo todo, olhando para trás, torcendo para que viesse alguém com uma lamparina.
  3. “A luz estranha tinha sido atacada pelos cachorros, e eles ainda a viram se afastando e voltando a entrar no cacoal.” (9º parágrafo) → A luz estranha tinha sido atacada pelos cachorros e eles, ainda a viram, se afastando e voltando a entrar no cacoal.
  4. “Fogo-fátuo é o nome pelo qual se conhece o Mboi-tatá, que em nhengatu significa ‘cobra de fogo’.” (1º parágrafo) → Fogo-fátuo é o nome pelo qual se conhece o Mboi-tatá que em nhengatu, significa “cobra de fogo”.
  5. “— Olá, amigo, quem é você?” (4º parágrafo) → — Olá, amigo quem é você?
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase indicada, a inserção da vírgula após “De repente” isola um adjunto adverbial antecipado, marcando uma leve ênfase/pause antes do sujeito.

Gramaticamente, adjuntos adverbiais de curta extensão podem ficar sem vírgula, mas também é correto isolá‑los por opção estilística ou para clareza. A alteração proposta não altera o sentido; apenas sinaliza prosodicamente a pausa inicial.

Portanto, a forma “De repente, ele avistou...” é perfeitamente aceita pela norma culta: a vírgula é opcional nesse contexto e serve para destacar o elemento temporal antecipado.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo