Questão FC217267
Leia o Texto para responder à questão. Extraviei-me pela cidade na tarde de sábado e então me deixei bobear um pouco pela Cinelândia. Foi certamente uma lembrança antiga que me fez
Regência
VUNESP · 2024
Leia o Texto para responder à questão.
Extraviei-me pela cidade na tarde de sábado e então me deixei bobear um pouco pela Cinelândia. Foi certamente uma lembrança antiga que me fez sentar na Brasileira; e, quando o garçom veio e perguntou o que eu desejava, foi um rapaz de 15 anos que disse dentro de mim: “waffles com mel”.
E disse meio assustado, como quem se resolve a fazer uma loucura.
Não sei por que, para aquele estudante de 15 anos, que dispunha apenas de 50 mil réis mensais para suas pequenas despesas, waffles com mel ficou sendo o símbolo do desperdício; era uma pequena loucura a que se aventurava raramente, sabendo que iria desequilibrar seu orçamento.
Talvez viesse do nome inglês o prestígio dos waffles.
E me lembro de ter encontrado na Cinelândia uma jovem rica de minha terra; aventurei-me, num gesto insensato, a convidá-la a entrar numa confeitaria e, depois de lhe ofertar, como um nababo1, waffles com mel (lembro até hoje seus dentes brancos e finos), levei minha loucura até as últimas consequências, depois de meia hora de conversa, para prendê-la na mesa (a tia esperava numa porta de cinema), de fazer questão absoluta que ela provasse uma Banana Real2! Era um insensato, o moço Braga.
(Rubem Braga. Cinelândia. Manchete, 15.05.1954. Adaptado)
1 nababo: indivíduo muito rico que ostenta grande luxo.
2 banana real: sobremesa ou lanche que consiste de fatias de bananas cortadas ao comprido, cobertas por bolas de sorvete e guarnecidas com caldas, frutas, castanhas moídas etc.
Assinale a alternativa em que a frase com informações do texto está em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal.
- A exemplo de alguém que se prontifica em cometer uma maluquice, pediu a iguaria ao garçom.
- O doce simbolizava um desperdício para o jovem que tinha somente a 50 mil réis mensais.
- O narrador não esquece de um encontro com uma jovem, a quem convidou entrar na confeitaria.
- Dificilmente o jovem se arriscava a pedir waffles com mel, pois isso interferiria no seu controle financeiro.
- O jovem precisava, segundo o narrador, de qualquer modo saborear a uma Banana Real.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na frase, a construção está correta porque respeita a regência dos verbos envolvidos.
O verbo arriscar‑se exige a preposição a antes de um verbo no infinitivo ou de um sintagma: arriscar‑se a pedir. Aqui, "o jovem" é o sujeito e "se" funciona como pronome reflexivo que liga a ação ao sujeito.
Já o verbo interferirem: pergunta‑se interferir em quê? — "no seu controle financeiro" é, portanto, complemento correto com a contração no (em + o).
Assim, Dificilmente o jovem se arriscava a pedir waffles com mel, pois isso interferiria no seu controle financeiro observa corretamente a regência verbal e a coerência sintática do período.
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