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Questão FC217281

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão. A andorinha da torre Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio... Era a

Regência

VUNESP · 2024

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão.

A andorinha da torre

 

Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

 

Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

 

Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

 

Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

 

Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava- os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

 

A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

 

Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.

 

(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024) * palhaços

 

Leia as passagens:

 

• Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios...

 

• Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre.

   

Considerando-se os aspectos de sentido e de regência, as reescritas dos trechos destacados nas passagens atendem à norma-padrão, respectivamente, em:

  1. de que se apela para fazer; se agradasse pela.
  2. em que se vale para fazer; afeiçoasse da.
  3. sobre que se apropria para fazer; agradasse na.
  4. a que se recorre para fazer; simpatizasse com a.
  5. com que se utiliza para fazer; se simpatizasse à.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D está correta porque respeita a regência verbal de ambos os verbos. No primeiro trecho, o verbo recorrer exige a preposição a para o complemento: pergunta-se "a que se recorre?" → "a essas figuras". Assim, "a que se recorre para fazer a imagem" mantém sentido e função sintática (complemento indireto).

No segundo trecho, o verbo simpatizar rege a preposição com para indicar o ser com quem se tem simpatia: pergunta-se "com quê?" → "com a andorinha". Logo, "simpatizasse com a andorinha" apresenta a regência correta e preserva o sentido original de afeição das pessoas pela criança.

Em resumo: recorrer a = complemento introduzido por a; simpatizar com = complemento introduzido por com.

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