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Questão FC217289

Leia o texto para responder à questão seguinte. Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não te

Regência

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder à questão seguinte.

Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função. Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.

Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos, calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das fraquezas em velocidade impressionante.

De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana, seu prazer, sua dor.

(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/ julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora- pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)

 

As expressões em destaque no trecho − Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana... – podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:

  1. visemos a ... alheios às ... que menosprezam a
  2. aspiremos à ... apartados nas ... que ignoram à
  3. aspiremos a ... alheios as ... que desconhecem à
  4. visemos à ... apartados das ... que ignoram a
  5. almejemos a ... alheios das ... que menosprezam à
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Gabarito

A

Comentário do professor

O verbo visar, no sentido de objetivar, rege a preposição a; por isso, a forma adequada é visemos a (sem crase aqui, pois não há artigo a contrair).

O adjetivo alheios rege a preposição a. Quando o termo regido vem acompanhado do artigo feminino plural (as desrazões), há a contração a + as = às, justificando alheios às.

O verbo menosprezar é transitivo direto e não exige preposição. Assim, o a que aparece em que menosprezam a funciona como artigo definido que introduz o objeto direto (a história humana), não como preposição.

Portanto, a sequência visemos a ... alheios às ... que menosprezam a respeita a regência verbal e nominal e a regra da crase.

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