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Questão FC217330

Leia o texto para reseponder a questão. Quanto mais difícil, melhor Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenári

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VUNESP · 2024

Leia o texto para reseponder a questão.

Quanto mais difícil, melhor

 

Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.

 

A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado:)).

 

Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita – e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.

 

John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso, mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema – as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava.

 

Este artigo deve me custar uns cinco espirros.

 

(Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 14.12.2023. Adaptado)

 

O uso do sinal indicativo da crase atende à norma-padrão em:

  1. Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, recorro à materiais como livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados.
  2. Este artigo deve custar à mim uns cinco espirros, já que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias.
  3. Portinari, o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas, às quais o envenenaram, e ele morreu em 1962, depois de 40 anos de trabalho.
  4. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro chegam à voar várias gerações de fungos”.
  5. E à estrela Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita – e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Na oração "E à estrela Harold Lloyd... faltavam dois" há crase porque se verifica a contração de preposição 'a' + artigo 'a' que antecipa o substantivo feminino estrela Harold Lloyd.

O verbo faltar está aqui como verbo transitivo indireto: exige preposição 'a' para ligar-se ao termo que indica a quem algo falta. Sintaticamente, "dois" é o sujeito (faltavam dois) e "à estrela Harold Lloyd" é o objeto indireto/termo regido completando o sentido do verbo.

Logo, a forma correta é a contracção: faltavam a + a estrela = faltavam à estrela, justificando o uso do acento grave indicativo de crase.

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