Questão FC217381
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes
Concordância (Verbal e Nominal)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão.
Você deixa tudo para depois?
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?
Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.
A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.
“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.
Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.
De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.
Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.
(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/
voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-
problema/. Adaptado)
Analisando o emprego dos verbos, assinale a alternativa elaborada com base na variedade culta da língua escrita.
- Adiamos tarefas para verificar as novidades que existe nas redes sociais, como as promoções.
- No passado, as tarefas para as quais nosso organismo foi criado se resumia em procurar comida e cuidar da prole.
- Para B. Damacena, a finalização do que ela tem agendado ficam sempre para as últimas horas.
- A procrastinação tem a ver com as exigências e o cansaço que impactam atualmente a sociedade.
- Retardamos as obrigações à espera de que voltem a motivação e consigamos nos concentrar novamente.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A frase A procrastinação tem a ver com as exigências e o cansaço que impactam atualmente a sociedade obedece à regra básica da concordância verbal. Pergunte ao verbo: quem é o sujeito? Aqui o sujeito da oração principal é A procrastinação, núcleo singular, por isso o verbo ter aparece em tem.
Na oração relativa, o pronome que retoma o termo as exigências e o cansaço, que é composto por dois núcleos. Como o referente é plural, o verbo da relativa deve flexionar-se no plural: impactam.
O advérbio atualmente apenas modifica o predicado e não interfere na concordância. Assim, a construção apresenta a concordância correta entre sujeitos e verbos nas duas orações.
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