FC ConcursosFC Concursos

Questão FC217391

Mas será que os mortais ainda se lembram do sorriso franco, dos sentimentos limpos e de uma gentileza genuína? Será que sentem saudades?

Concordância (Verbal e Nominal)

VUNESP · 2024

Um filme revolucionário

 

Para muitos, a época do Natal é o momento da suprema hipocrisia. Durante 24 horas, ou talvez 48, os sorrisos são forçados, os sentimentos são de plástico e a gentileza, se merece o nome, não consegue esconder completamente a profundidade do ressentimento contra amigos ou familiares.

 

Mas será que os mortais ainda se lembram do sorriso franco, dos sentimentos limpos e de uma gentileza genuína? Será que sentem saudades?

 

Para esses nostálgicos, aconselho o filme “A Menina Silenciosa”, de Colm Bairéad, inspirado no livro “Foster”, de Claire Keegan. É o meu filme do ano, para usar a linguagem gasta dos balanços jornalísticos.

 

A história é simples, ou parece simples: Cáit (espantosa Catherine Clinch) é uma criança de nove anos que sobrevive (é o termo) numa família que a ignora e despreza. O seu método de sobrevivência é o silêncio, a quietude e a observação. Para usar uma palavra clássica, Cáit é uma “enjeitada”. A mãe é uma figura exausta e ausente. O pai alcoólatra tem a delicadeza própria das bestas. E as irmãs mais velhas são espectros sem rosto e sem voz.

 

Mas então os pais, que esperam uma nova criança e não têm tempo para Cáit, decidem enviá-la para a casa de Eibhlín e Seán, familiares distantes, só para passar o verão, e a garota é assim levada para um ambiente estranho. Decisão milagrosa, pois eles acolhem-na e, logo nos primeiros momentos, entendemos que algo mudou.

 

Uma diferença nos gestos, digamos assim. Gestos de quem cuida.

 

Naquele verão, Cáit conhece essa coisa extraordinária: uma família, partilhando com ela as suas alegrias e tristezas, as suas rotinas, as suas conversas. Lentamente, a “menina silenciosa” vai saindo do seu casulo. “A Menina Silenciosa” é um filme revolucionário por tratar do mais revolucionário dos temas: a bondade humana.

 

Não é uma daquelas virtudes mentirosas para ser exibida nas redes sociais e que apenas serve para alimentar a vaidade do suposto virtuoso. Também não é uma mera proclamação ideológica, abstrata, ideal, própria de quem ama a humanidade, mas despreza o ser humano comum.

 

Como lembrava Emmanuel Levinas*, a bondade é uma virtude interpessoal. Ela só acontece face a face. A bondade nada exige, nada espera, nada impõe. É pura hospitalidade.

 

É abertura e reconhecimento.

 

E, como no filme, talvez seja um dia reciprocidade.

 

(João Pereira Coutinho. ‘A Menina Silenciosa’ é um filme revolucionário ao tratar

da bondade humana. www.folha.uol.com.br/colunas, 22.12.2023. Adaptado)

 

*Emmanuel Levinas: filósofo francês (1906-1995)

 

Assinale a alternativa em que a frase está em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal.

  1. No texto, que expõe opiniões do autor acerca da generosidade, sugerem-se que os leitores assistam ao filme inspirado no livro de Claire Keegan.
  2. No enfrentamento da realidade, são a quietude e a observação que permite à Cáit sobreviver às agruras impostas pela própria família.
  3. O autor, ao comentar sobre bondade, hospitalidade e reciprocidade, explica que se tratam de temas revolucionários.
  4. No contato familiar, faltam à menina silenciosa os gestos de zelo e carinho que sempre devem unir pais e filhos.
  5. Quando há bondade autêntica entre as pessoas, não pode existir exigências, cobranças ou imposições.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

No enunciado, a oração tem a estrutura: verbo + sujeito (posposto) + complemento. Em "faltam à menina silenciosa os gestos de zelo e carinho", o verbo faltam concorda com o núcleo do sujeito — "gestos" — que está no plural, apesar de aparecer depois do verbo.

O trecho "à menina silenciosa" funciona como complemento indireto (regido de faltar) e por isso traz crase ("a" + "a menina" = à), não influenciando a concordância verbal.

Por fim, o pronome relativo que retoma "gestos" (equivalente a "os quais"), logo a locução verbal "devem unir" também deve aparecer no plural, concordando corretamente com o antecedente.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo