Questão FC217446
Leia o texto para responder à questão Creio, logo é! Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsã
Concordância (Verbal e Nominal)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão
Creio, logo é!
Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar na pontaria do arqueiro.
É comum tomarmos decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas.
Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.
Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.
Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras concepções” (Bacon, 1620).
(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias. Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)
A alternativa contendo adaptação do original redigida de acordo com a norma-padrão de concordância é:
- Tratam-se de concepções antigas, porém reafirmadas, na contemporaneidade, por grupos que tem convicções arraigadas fazem anos.
- Quando há conflitos de informações com crenças, reinterpretam-se os fatos de acordo com convicções.
- Se, feito uma previsão, ela falha, em vez de abandonar a crença, a pessoa busca explicações irracionais que a sustente.
- É comum existir decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por se rejeitar informações.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na frase, o verbo haver tem sentido de existir e, por isso, é um verbo impessoal: não admite sujeito e permanece sempre na 3.ª pessoa do singular. Logo, "Quando há conflitos de informações..." está correto.
Em "reinterpretam-se os fatos", o pronome se funciona como índice de voz passiva sintética (há sujeito paciente: "os fatos" posposto). Assim, o verbo deve concordar em número com esse sujeito; como "os fatos" é plural, usa-se "reinterpretam-se".
Portanto, a construção une corretamente o uso impessoal de haver com a concordância verbal exigida pela voz passiva com se, cumprindo a norma-padrão.
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