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Questão FC217454

Leia o texto para responder à questão. Sensações apocalíticas Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredõ

Concordância (Verbal e Nominal)

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder à questão.

Sensações apocalíticas

 

Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

 

Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

 

O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

 

O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

 

Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.

 

(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas. Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)

 

A concordância verbal e a concordância nominal estão em conformidade com a norma-padrão na seguinte reescrita de informações do texto:

  1. 4º C até 2100, segundo o cientista Carlos Nobre sentenciou, pode tornar todos os países do planeta Terra inabitável.
  2. Tornou-se uma realidade em muitas cidades do país filamentos de carvão e fumaça, que poderia ser visto a olho nu se espalhando.
  3. Superaram-se com cenários ainda mais assustadores o alerta de David Wallace-Wells, como atesta os recentes extremos climáticos.
  4. Os dois extremos vividos recentemente vem fazendo as metrópoles estrebucharem, vítima de inundações infectas ou de seca.
  5. No Rio Solimões, faltam condições de sobrevivência aos peixes, pois as águas abundantes foram reduzidas a um riacho fantasma.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A reescrita está correta porque respeita a concordância verbal e a concordância nominal. Na oração "No Rio Solimões, faltam condições de sobrevivência aos peixes", o verbo "faltar" concorda com o sujeito "condições" (núcleo plural), por isso vai para o plural.

Em "pois as águas abundantes foram reduzidas a um riacho fantasma", temos voz passiva: "as águas abundantes" é o sujeito paciente e o particípio "reduzidas" concorda em gênero e número (feminino plural) com esse sujeito. A expressão "aos peixes" é objeto indireto/termo beneficiário e não altera a concordância.

Portanto, tanto a flexão verbal quanto a flexão do particípio estão adequadas à norma-padrão.

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