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Questão FC217485

Leia o texto para responder à questão. A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo anunciou a venda de sete imóveis no centro de São Paulo. O objetivo é arrecadar R$ 200 milhões e qu

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão.

 

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo anunciou a venda de sete imóveis no centro de São Paulo. O objetivo é arrecadar R$ 200 milhões e quitar parte dos R$ 650 milhões em dívidas da instituição. Trata-se de um paliativo que não estancará o sangramento sofrido não apenas pela Santa Casa de São Paulo, mas por toda a rede de hospitais filantrópicos do País em razão do subfinanciamento crônico imposto pela incúria do poder público e o oportunismo de seus agentes.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamentalmente um serviço público prestado por entes privados. Hospitais estatais são, em geral, insuficientes, ineficientes e caros. As Santas Casas e os hospitais filantrópicos respondem por quase metade dos leitos do SUS. Em quase 900 municípios, essas entidades são o único serviço de saúde. Segundo a Confederação das Santas Casas (CMB), em 2023 a rede pública foi responsável por apenas 27% das internações de alta complexidade do País, enquanto os hospitais filantrópicos responderam por 61%. Mas esses hospitais são vitimados pelo próprio sucesso.

 

Em teoria, o SUS seria um exemplo de cooperação entre o público e o privado para outros serviços públicos do País e para sistemas de saúde de todo o mundo: o Estado recolhe o dinheiro do contribuinte e o repassa a entidades sem fins lucrativos com o alcance e a expertise que ele não tem, garantindo a prestação de serviços de qualidade a todos os cidadãos. Mas como, na prática, os repasses não cobrem os serviços, os hospitais são obrigados a pagá-los.

 

Há décadas os valores de repasse da Tabela do SUS estão defasados. Hoje, os repasses não cobrem mais que 50% do custo dos procedimentos. Segundo a CMB, em 18 anos a dívida desses hospitais dobrou. Muitos não resistiram à pressão. Estima-se que, entre 2017 e 2021, 500 Santas Casas fecharam as portas. Na maior parte do País, em especial nas regiões mais carentes, o sistema está ruindo aos poucos, e a continuar assim o colapso pode ser súbito e brutal.

 

Há uma luz no fim do túnel. No início de 2024 finalmente foi sancionada uma lei federal estabelecendo a revisão periódica da tabela. A proposta da CMB é que a partir de 2025 o reajuste corresponda, no mínimo, ao valor da inflação médica. Não é suficiente para recompor as perdas de anos de hemorragia financeira, mas ao menos a estancaria.

 

(O Estado de SP. “Luz no fim do túnel para as Santas Casas”. Disponível em: https://www.estadao.com.br, 06.11.2024. Adaptado.)

 

No trecho do 3º parágrafo “… os hospitais são obrigados a pagá-los”, o pronome destacado retoma:

  1. fins lucrativos.
  2. cidadãos.
  3. repasses.
  4. serviços.
  5. hospitais.
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Gabarito

D

Comentário do professor

No enunciado, a frase completa é: "os repasses não cobrem os serviços, os hospitais são obrigados a pagá-los". Pergunta-se: o que os hospitais são obrigados a pagar? A resposta é serviços.

Gramaticalmente, o pronome los é um pronome oblíquo átono que retoma um termo em masculino plural. Ele aparece enclítico ao infinitivo pagar, formando pagá-los, e, portanto, concorda em gênero e número com serviços.

Semântica e sintaticamente, faz sentido: o que sobra sem cobertura pelos repasses são os custos dos serviços, que os hospitais acabam precisando arcar. Essa correspondência confirma a alternativa correta.

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