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Questão FC217495

Leia o texto para responder à questão. Os exemplos de textos jornalísticos foram apresentados numa unidade temática sobre drogas num supletivo básico (equivalente às 1ª e 2ª séries

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão.

 

Os exemplos de textos jornalísticos foram apresentados numa unidade temática sobre drogas num supletivo básico (equivalente às 1ª e 2ª séries) para adultos. Em consequência da pouca familiaridade dos alunos com a escrita em cursos desse tipo, em que a maioria são adultos que voltam à escola depois de ter passado uns poucos meses na escola quando crianças, é necessário, primeiro, explorar com os alunos os acordos tácitos anteriores à leitura do jornal, entre jornalista e leitor.

 

Em primeiro lugar, o texto jornalístico deve ser aceito como fonte de informações pertinentes e de novidades, quer dizer, preenchendo funções que, nas culturas não letradas, são preenchidas, primordialmente, pelos membros da família e pela comunidade imediata, oralmente. Em segundo lugar, é preciso deixar claro para o aluno a ampla variedade de informações e notícias que um jornal da imprensa séria, de circulação nacional traz, o que implica uma maneira seletiva de procura de textos interessantes, mediante a leitura da manchete e do resumo destacado na primeira página, ou na seção pertinente ao assunto tratado.

 

A familiarização com a forma do jornal e do texto jornalístico poderia ser, de fato, um dos primeiros objetivos da aula e, nesse caso, poder-se-ia focalizar a relação entre a manchete, o resumo ou chamada e o texto propriamente dito dentro do jornal. Ligada também à leitura do jornal está a maneira de abordar a leitura do jornal para aquilo que nos interessa. Poder-se-ia, então, demonstrar para o aluno a função da manchete em relação ao relato da notícia, bem como a leitura tipo sondagem (também conhecida por seu nome inglês, “scanning”), assim, efetivamente, demonstrando a relação existente entre objetivo de leitura e estratégias de abordar o texto, de ler.

 

(Angela Kleiman, Oficina de leitura: teoria & prática, 2017. Adaptado)

 

De acordo com Ingedore Koch (Desvendando os segredos do texto, 2018), na passagem “Em consequência da pouca familiaridade dos alunos com a escrita em cursos desse tipo, em que a maioria são adultos que voltam à escola depois de ter passado uns poucos meses na escola quando crianças, é necessário, primeiro, explorar com os alunos os acordos tácitos anteriores à leitura do jornal, entre jornalista e leitor.” (1º parágrafo), identifica-se a expressão da noção de causalidade, com estrutura icônica ao real, ou seja, a causa antecedendo a consequência. Isso também se verifica em:

  1. Como era uma família muito pobre, o jovem teve de trabalhar desde cedo.
  2. Trabalhou desde cedo o jovem em virtude da pobreza extrema da família.
  3. O trabalho prematuro do jovem decorreu da extrema pobreza da família.
  4. O jovem teve de trabalhar desde cedo, devido à pobreza de sua família.
  5. Desde cedo o jovem trabalhava, visto que a sua família era muito pobre.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase Como era uma família muito pobre, o jovem teve de trabalhar desde cedo., a relação de causalidade aparece de forma explícita: a expressão como funciona como conjunção que introduz a oração subordinada causal, onde está a causa.

A oração principal segue em seguida e apresenta a consequência (“o jovem teve de trabalhar desde cedo”). Essa ordem — causa antes do efeito — é exatamente o que se chama de estrutura icônica ao real, isto é, a sequência linguística espelha a sequência temporal/explicativa real.

A vírgula separa as orações e marca a dependência sintática, destacando a função causal da subordinada; o verbo “teve de” indica claramente a necessidade/resultado provocado pela condição econômica. Portanto, a construção atende ao critério pedido no enunciado.

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