Questão FC217499
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão.
Você deixa tudo para depois?
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?
Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.
A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.
“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.
Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.
De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.
Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.
(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/
voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-
problema/. Adaptado)
No terceiro parágrafo, a afirmação de que “A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso” relaciona-se ao fato de a tradutora
- priorizar a solução dos problemas que comprometem sua vida familiar.
- ser negligente quanto às advertências que recebe dos clientes.
- necessitar de apoio médico para diminuir sua angústia.
- não ser organizada nem pontual em relação aos trabalhos acordados.
- chegar à data-limite para finalizar os compromissos profissionais.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A expressão "isso" retoma a ideia explicada no parágrafo anterior: o verbo procrastinar, isto é, adiar para amanhã o que se poderia ou deveria fazer agora.
Logo em seguida, a tradutora afirma "sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora", informação que ilustra concretamente esse comportamento.
Portanto, a frase em destaque relaciona‑se diretamente ao fato de ela chegar à data‑limite para finalizar os compromissos profissionais: o texto descreve que ela cumpre prazos, mas apenas no limite, caracterizando a procrastinação indicada pela alternativa correta.
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