Questão FC217541
Ao desconcerto do mundo Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem
Linguagem
VUNESP · 2024
Ao desconcerto do mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.
(Luís Vaz de Camões. Lírica)
A produção de sentido no poema é estabelecida na relação entre bons e maus, formalizando a figura de linguagem denominada
- antítese, por meio da qual se organizam informações de sentidos opostos.
- paradoxo, já que explicita uma contradição no comportamento das pessoas.
- metonímia, com a substituição da ideia de abundância pelo uso de “nadar”.
- hipérbole, reforçando a ideia de que todos podem viver os contentamentos.
- comparação, que explora as características comuns das diferentes pessoas.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
Antítese é a figura de linguagem que contrapõe ideias de sentidos opostos para produzir um efeito de contraste. No poema de Camões, essa oposição organiza a leitura e orienta a ironia moral do eu-lírico.
Percebe-se claramente na justaposição de “bons” — associados a “graves tormentos” — e “maus” — ligados a “mar de contentamentos”. Essa distribuição de termos contrários cria uma tensão semântica que torna nítida a injustiça percebida pelo falante.
Ao estruturar o sentido por antíteses, o poema destaca a discrepância entre aparência e justiça social, reforçando a crítica e o tom amargo do eu-lírico. Assim, a oposição lexical é o recurso que centra o sentido do texto.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em