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Questão FC217557

Leia o texto para responder à questão. O viés da palavra câncer: combate ao estigma Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência que não vem com manual de instruções. É desaf

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão.

O viés da palavra câncer: combate ao estigma

Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência que não vem com manual de instruções. É desafiador lidar com a notícia e, mais ainda, se preparar para o que está por vir. A própria palavra câncer não é uma palavra que as pessoas gostam de pronunciar, porque carrega um estigma e um peso, decorrentes de décadas de desinformação.

O estigma se reflete em expressões cotidianas. Quem nunca falou ou ouviu algo como “aquilo ali é um câncer para o País”? Não vamos menosprezar a doença que é, sim, complexa e pode ser o ponto final para muitas pessoas. Porém, precisamos ressaltar que os avanços em prevenção e tratamento são enormes e tornaram o diagnóstico cada vez mais promissor. É hora de reduzir a carga negativa que a palavra câncer carrega, pois, além de perpetuar desinformação, contribui para o isolamento emocional e psicológico de quem convive ou acompanha alguém nesse processo.

Compreender o câncer e seu significado não é mais sobre viver em função da doença, mas tratá-la para viver mais e melhor. Cada paciente, incluindo crianças e adolescentes em formação, é um indivíduo com uma história e trajetória únicas. Essa combinação é o que traz as melhores taxas de cura e sobrevida.

Tratar o câncer como algo terminal ou como uma guerra é uma violência silenciosa que abala a autoestima de quem está em tratamento. Medo e incerteza são naturais, mas, quando amplificados pelo estigma social, tornam-se fardos cruéis.

O primeiro passo para mudar essa realidade é disseminar informações precisas sobre o que significa viver com câncer, destacando que essa não é mais uma condição implacável. Campanhas de conscientização são essenciais, mas precisamos de uma transformação mais profunda e genuína no discurso e nas atitudes diárias.

(Victor Piana. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Em seu artigo, o autor mostra-se favorável a uma mudança de comportamento no que tange a

  1. dimensionar corretamente a viabilidade de se usar a palavra “câncer” com quem é diagnosticado com a doença, vista como estigma social até hoje.
  2. entender a desesperança causada pela palavra “câncer” para as pessoas diagnosticadas com essa doença, pois viverão uma guerra silenciosa marcada pela dor.
  3. desconstruir preconceitos que giram em torno da palavra “câncer”, uma vez que a doença perdeu o estigma de tempos atrás e já tem cura na maioria dos casos.
  4. diminuir a carga negativa tradicionalmente atribuída à palavra “câncer” como forma de preservar a autoestima das pessoas que convivem com essa doença.
  5. vetar totalmente o emprego da palavra “câncer”, já que ela, além de comprometer a autoestima das pessoas doentes, ainda prejudica a conscientização.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa (D) sintetiza a tese central do texto: o autor defende a necessidade de diminuir a carga negativa tradicionalmente associada à palavra câncer como estratégia para preservar a autoestima de quem convive com a doença.

No artigo, o autor denuncia o estigma presente no discurso cotidiano e explica que comparações pejorativas e metáforas bélicas amplificam o isolamento e o sofrimento psicológico.

Ao propor campanhas informativas e uma mudança genuína no comportamento e na linguagem, ele busca justamente reduzir esse peso simbólico, favorecendo apoio emocional, inclusão social e melhor enfrentamento do tratamento.

Portanto, a alternativa D reflete fielmente a intenção do texto: alterar o uso social da palavra para proteger a saúde mental e a dignidade dos pacientes.

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