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Questão FC217569

(Mário Sérgio Cortella. Vamos pensar um pouco?

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão.

 

Pizza, só de massa

 

Nós, brasileiros, criamos um hábito, nos 50 anos mais recentes, de dizer que um fato que teve um desdobramento indecente “acabou em pizza”. A expressão se popularizou, em grande parte, por causa de episódios envolvendo corrupção e desvio de conduta. Para tudo aquilo que nos causa a percepção de impunidade ─ não só, mas especialmente na vida pública ─, dizemos “ah, isso vai acabar em pizza”. Nós precisamos recusar essa ideia como algo normal em nosso cotidiano. 

 

Muita gente imagina que a palavra “pizza” tenha origem no italiano, mas curiosamente ela vem do germânico antigo, que depois veio gerar o idioma alemão. No germânico antigo, bizzo significa “pedaço de pão”. Depois, houve a migração da palavra bizzo para a Itália, onde se transformou em “pizza” e daí foi para o mundo todo. 

 

Migrou para nós, também, para a área da política, mas é preciso dar um basta e parar de dizer e admitir que tudo “vai acabar em pizza”. A pizza, que ganha aqui sentido figurado, significando malfeitoria, nós não devemos admitir em nosso cardápio.

 

(Mário Sérgio Cortella. Vamos pensar um pouco? 

São Paulo: Cortez, 2017. Adaptado)

 

O autor deixa transparecer, no texto, a ideia de que

  1. casos de corrupção devem ser punidos conforme sua gravidade.
  2. a aprovação dos desvios de conduta não revela omissão do brasileiro.
  3. a indiferença com a impunidade não significa cumplicidade com atos condenáveis.
  4. dizer que um episódio de corrupção vai “acabar em pizza” não deve ser aceito.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O autor sustenta que a expressão "acabar em pizza" não deve ser aceita como normalização de fatos de corrupção.

Argumenta que o uso dessa metáfora banaliza a prática corrupta e produz uma sensação de impunidade, tornando aceitável o que deveria ser repudiado.

Ao explicar a origem e a migração da palavra, ele mostra como um termo literal foi transferido para o campo figurado e, daí, usado para mascarar gravidade ética de atos públicos.

Assim, a ideia central é normativa: rejeitar a expressão equivale a recusar a naturalização da corrupção e reafirmar a exigência de responsabilização e transparência.

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