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Questão FC217593

Um Oscar para a coragem Já conquistamos cinco Copas do Mundo, mas nunca tivemos um Prêmio Nobel e até anteontem jamais havíamos levado um Oscar. De certa forma, isto nos resumia: u

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2025

Um Oscar para a coragem

 

Já conquistamos cinco Copas do Mundo, mas nunca tivemos um Prêmio Nobel e até anteontem jamais havíamos levado um Oscar.

 

De certa forma, isto nos resumia: um país bom de bola, mas ruim do resto.

 

Não mais: o Brasil finalmente entrou para o time dos laureados com o principal prêmio do cinema mundial, ganhando como melhor filme de língua não inglesa com a produção Ainda Estou Aqui.

 

Isso não significa, é claro, que de uma hora para outra o cinema brasileiro tenha se tornado uma potência capaz de ombrear com a indústria de países com muito mais tradição nessa arte.

 

No entanto, o prêmio para Ainda Estou Aqui aponta o amadurecimento dos artistas e profissionais brasileiros nessa arte que comove e diverte o mundo há mais de um século.

 

É muito provável que essa vitória atraia mais curiosidade no exterior sobre o cinema brasileiro e acalente os sonhos dos jovens diretores daqui.

 

Dito isso, mesmo que não tivesse sido o primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar, Ainda Estou Aqui tem um significado extraordinário para o País, como poucas obras de arte tiveram em nossa história.

 

À medida que o filme passou a ganhar visibilidade, críticas positivas e prêmios no exterior, instalou-se no País um sentimento que só costumamos ver em época de Copas do Mundo.

 

Quando a atriz espanhola Penélope Cruz anunciou o Oscar para o longa dirigido por Walter Salles, o Brasil explodiu em celebração.

 

Tanto entusiasmo não é exagero.

 

Como destacou Fernanda Torres, atriz principal do filme, o fato de uma produção falada em português ter recebido três indicações ao Oscar – melhor filme, melhor atriz e melhor filme estrangeiro – já era um feito.

 

Ancorado na atuação impecável de Fernanda Torres, agora um talento internacionalmente reconhecido, o filme conseguiu, com sutileza e sobriedade, retratar a vida de inúmeras famílias.

 

Com isso, a produção transformou um tema local em algo universal.

 

Ao decidir narrar a história dos Paiva na atual conjuntura, portanto, o diretor Walter Salles foi particularmente corajoso, sobretudo porque deu visibilidade à aguerrida Eunice, que lutou para preservar sua família e perseverou em busca de justiça.

 

Só isso já é digno de aplausos.

 

Nem precisava de Oscar.

(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 04.03.2025. Adaptado)

 

O editorial considera o filme Ainda Estou Aqui como uma obra

  1. sóbria e sutil, já que Walter Salles, ao relacionar a história de Eunice Paiva e sua família com os dias de hoje, equilibrou razão e emoção, tornando a personagem de Fernanda Torres menos belicosa.
  2. manifesta de coragem, porque Walter Salles ousou trazer para a conjuntura atual o espírito combativo de Eunice Paiva não apenas para resguardar sua família como também para buscar justiça.
  3. cheia de emoção, por meio da qual Walter Salles expõe como se arrefeceram as energias de Eunice Paiva para cuidar da família e buscar justiça, situação que, por si só, dispensaria o prêmio do Oscar.
  4. importante na abordagem de um tema local, ainda que não tenha representatividade global, pois Walter Salles apresenta os desafios de Eunice Paiva para preservar a família e buscar a justiça.
  5. celebrada e universal, com a qual Walter Salles decide dar visibilidade à história de Eunice Paiva, destacando a forma como a sua sujeição ao sistema social garantiu a segurança de sua família
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa correta corresponde ao entendimento do editorial: o texto afirma explicitamente que Walter Salles foi “particularmente corajoso” ao levar para a conjuntura atual a história dos Paiva.

O comentário elogia, sobretudo, a decisão do diretor em dar visibilidade à figura de Eunice, descrita como aguerrida, isto é, dotada de um espírito combativo que não se limitou a resguardar a família, mas a impulsionou a buscar justiça.

Portanto, a alternativa B sintetiza com fidelidade a ideia central do editorial: a coragem de Salles reside na ousadia temática e na apresentação de uma protagonista ativa, cuja luta é justamente o mérito valorizado pelo texto.

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